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Aretha Duarte conta tudo sobre sua escalada ao topo do Everest

A campineira pode ser a primeira brasileira negra a escalar até o topo do Everest. Ela conta tudo sobre sua subida até o ponto mais alto do planeta.

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Aretha Duarte, nascida na periferia de Campinas, pode ser a primeira brasileira negra a escalar o Monte Everest, uma conquista cheia de esforço e significado, já que ela precisou conquistar e levantar o valor necessário para realizar esta missão que custa R$224 mil. Outro ponto interessante é que dos 25 brasileiros que conseguiram chegar até o topo da montanha, apenas cinco foram mulheres. Em breve, Aretha se juntará a este grupo.

Ela conta que começou no montanhismo aos 23 anos, no ano de 2005, quando estava no 2° ano da faculdade de educação física e um professor chamado Beto, que em sua opinião era um visionário, levou a turma para uma operadora de Montanhismo, para que eles conhecessem uma possibilidade de trabalho na área. Naquela ocasião eles assistiram a uma palestra na, que é a empresa em que ela trabalha hoje, a Grade6, o que a deixou apaixonada e com vontade de atuar neste meio, de estar em contato com a natureza e praticar um esporte em que ela só competia com si mesma.  
 

A montanhista esteve em Elbrus, na Rússia | Imagem: Arquivo pessoal

A montanhista foi se aprimorando, fazendo cursos na área, se aproximando da empresa e buscando oportunidades. Em 2007 ela foi convidada para ser freelancer da Grade6, acompanhando palestras e treinamentos corporativos. Em 2011, na primeira expedição especial da empresa, ela foi convidada para fazer parte do quadro de funcionários. Também neste ano Aretha conseguiu ir para as montanhas nacionais diversas vezes, especialmente na Serra da Mantiqueira. Em janeiro de 2012 foi sua primeira vez na alta montanha, que são montanhas acima de 3 mil metros de altitude. Em sua primeira vez, alcançou os 4.300 metros de altitude, no campo base do Aconcágua, na Argentina. Dali em diante ela passou a ir para a alta montanha pelo menos três vezes por ano e foi ganhando experiência, buscando cada vez mais desafios maiores. Já viajou por 7 países, incluindo o Nepal, para escalar as altas montanhas. 
 

Aretha Duarte no Monte Roraima, na Venezuela | Crédito: arquivo pessoal.
A atleta conta que a preparação contou com cinco passos básicos para escalar o Everest. "Alcançar excelente condicionamento físico, ter o conhecimento e experiência de escalada em rocha e ter feito o curso de escalada em gelo, ter passado por algumas altas montanhas e o último é ter escalado montanhas de 7 a 8 mil metros de altitude. No meu caso, escalei quatro vezes o Monte Aconcágua, que possui aproximadamente 7 mil metros de altitude", afirmou Duarte, que teve sua história contada no programa Caldeirão do Huck, no quadro The Wall, neste último sábado.

Agora a montanhista encontra-se no Himalaia escalando. Ela conta que chegou em Katmandu, capital do Nepal, no dia 2 de abril e ficou até o dia 7 de abril. De lá, voou até Lukla, onde começa a ascensão. Agora ela está no 5° dia de ascensão, em uma trajeto onde passa por alguns vilarejos, mudando de altitude dia após dia, até chegar no campo base do Everest, que possui 5.000 altitudes. Lá ela fica aproximadamente de 30 a 35 dias para fazer o processo de aclimatação, para só então realizar a subida até o cume da montanha e voltar.  
 
Aretha no Base Camp Everest, no Nepal | Crédito: Arquivo pessoal.
"Do campo base para cima são quatro acampamentos bases, o primeiro acampamento tem aproximadamente 5.900 metros e o último tem quase 8.000 metros de altitude. O topo do Everest possui 8.848 metros de altitude", explica Aretha. Ela relata também que para se adaptar a estas altitudes, é necessário expor o corpo a elas e descer para dormir mais baixo que a altitude em que o corpo foi exposto. "É necessário todo um ciclo de aclimatação, uma logística, para se adaptar ao local. Quando houver um janela de tempo bom, faremos a subida para o campo 2, campo 3 e campo 4. Do campo 4, vamos até o topo, voltamos até o campo 4, depois voltamos para o campo base, para descer tudo até onde iniciamos a ascensão, para então pegar o voo de volta para Katmandu", diz a escaladora. O processo é longo e minucioso, no total leva aproximadamente 45 dias.

Sobre um possível adiamento dos planos, Duarte conta que sempre trabalhou em prol de uma data, no caso da escalada ao Everest, ela focou na em 2021. A temporada acontece no período de março a maio de todos os anos. "Caso algo que está fora do meu controle acontecesse, eu não teria nenhum problema em adiar para o próximo ano. Gosto de trabalhar com meu momento presente, com minhas possibilidades e fazer tudo que está sob meu controle. O que não está aceito, agradeço e sigo em frente", afirmou a montanhista.

Ela conta também que nunca pensou em desistir e que não houve um dia sequer em que ela pensou que não conseguisse realizar a escalada ao Everest. "Determinei essa escalada no dia 15 de março de 2020, desse dia em diante eu trabalhei todos os dias, treinei praticamente todos os dias, para essa realização. Eu sempre acreditei que ia acontecer, fazendo tudo que estava sob meu controle. Não adiantava ficar pensando nas coisas que não estavam no meu alcance como fechamento de fronteira, doenças e etc", disse Aretha, que em breve deverá se tornar uma a 6° mulher brasileira a escalar até o topo do Everest.