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Ter negra, trans e drag queen no Rock in Rio é histórico, diz Karol Conka

| FOLHAPRESS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Karol Conka volta ao Rock in Rio após dois anos. A rapper curitibana subiu ao palco em 2017 ao lado do grupo colombiano Bomba Estereo. Nesta edição, a cantora convidou a Gloria Groove e Linn da Quebrada para uma parceria no festival. "Ter uma negra, uma trans e uma drag queen é algo histórico para o Rock in Rio", diz Karol. "A nossa presença já é um ato político."Para o show em 27 de setembro no palco Sunset, as artistas prepararam uma música nova, gravada na sexta-feira (5) no Red Bull Music Studios, no centro de São Paulo. Com produção de Boss in Drama, "Alavancô" conta com letra feita pelas três. Em um dos trechos há a parte que diz "Quem se assume causa choque nas mentes mal-informadas"."Eu queria passar informação por meio da diversão. É um beat bem gostoso e a letra tem aquela acidez típica do rap, mas é convidativa para nosso mundo de liberdade", diz a rapper, que mistura em seus trabalhos ritmos como hip-hop- rap, reggae e até MPB."Tem uma alfinetada naquelas pessoas que não entendem esse processo de libertação que a gente vive hoje", diz a artista que participa do festival pela segunda vez e contra com três álbuns de estúdio na carreira —"Ambulante", lançado em novembro de 2018 é o mais recente."Passe uma borracha na ignorância e puxe a alavanca do progresso" é a mensagem que ela diz querer transmitir com a música nova.Suas parceiras na empreitada do Rock in Rio contam que já eram fãs de Karol. "Deu tempo de ela me influenciar, entrar na cena e estar com ela aqui", diz a drag queen Gloria Groove. "A gente queria fazer a melhor canção para uma apresentação ao vivo. É feita para ouvir em uma experiência ao vivo.""Eu via ela no palco já tinha algo com que eu me identificava muito e que eu quis trazer para minha construção artística", conta Linn da Quebrada, que também apresenta o programa TransMissão, no Canal Brasil. A paulistana é uma ativista na questão de padrões de gênero.Karol afirma que sabe não são uma unanimidade no gosto do público do Rock in Rio. "Sabemos também que existem opiniões contrárias à nossa e e públicos que talvez não gostariam de nos ver ali. A gente espera poder contagiar as pessoas que ainda não simpatizam com o nosso rolê e que, pelo menos, a gente desperte o respeito delas e a empatia", ressalta.O responsável pelo palco Sunset Zé Ricardo é quem promove o encontro entre os artistas.Ele conta que a intenção é que cada uma cante com a Karol duas músicas, mas que o show é aberto para elas fazerem o que quiserem no palco. "A ideia é que o artista tenha uma liberdade criativa dentro do tempo". Zé ressalta que as parcerias seguem os três pilares do Sunset: provocar, atualizar e revelar.Na lista de parcerias para este ano ainda estão nomes como Emicida e o duo Ibeyi, Mano Brown e o lendário baixista americano Bootsy Collins, além de Iza e Alcione.O festival na capital fluminense será realizado nos dias 27, 28 e 29 de setembro e 3, 4, 5 e 6 de outubro na Cidade do Rock montada no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. Os ingresso já estão esgotados.

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