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Cotidiano

Covid-19: Campinas tem 6 mortes e 1,4 mil casos em profissionais da saúde

A cidade já registrou mais de cinco mil profissionais com sintomas da doença, e 898 ainda aguardam o resultado de exames

| ACidadeON Campinas

 
 

Profissionais de saúde do HC fizeram protesto ontem (23) em frente ao hospital (Foto: Denny Cesare/ Código 19)
Campinas já registrou seis mortes e 1.407 profissionais de saúde contaminados pelo novo coronavírus. Segundo o último boletim epidemiológico divulgado, a cidade já registrou mais de cinco mil profissionais com sintomas da doença, e 898 ainda aguardam o resultado de exames.  

Entre os seis óbitos registrados pela doença entre os profissionais, três eram médicos, dois técnicos de enfermagem e um era auxiliar de saúde bucal. O boletim abrange profissionais da rede pública e privada, que estavam em exercício de suas funções. No entanto, segundo a Vigilância Epidemiológica, três das vítimas fatais não adquiriram a doença nas atividades laboratoriais.   

A maior parte dos casos confirmados, com 518 registros, ocorreu com técnicos ou auxiliares de enfermagem, o que representa 36,8% do total confirmado. A segunda maior contaminação foi de médicos, com 301 casos, em seguida de enfermeiros, com 163 profissionais afetados.  

Segundo a pasta da Saúde, a média dos profissionais notificados com covid-19 registrada tem 39,7 anos. Entre os profissionais com sintomas, 78% eram mulheres, e 22% homens.  

O boletim não divulga a identidade das vítimas, mas o ACidade ON entrevistou as famílias de dois profissionais da saúde que morreram por conta da covid-19 em Campinas, entre eles do técnico de enfermagem Marcelo Alves da Rocha, de 37 anos, e da auxiliar de dentista Ana Lucia Ferreira, de 58 anos.  

Marcelo morreu no dia 6 de junho, trabalhando na linha de frente no combate à doença em um hospital particular. Já, Ana, trabalhava no CS (Centro de Saúde) do DIC 1, e morreu no dia 1º de abril, mas a suspeita é de contaminação durante uma viagem (veja os relatos das famílias aqui).   

O técnico de enfermagem Marcelo Alves da Rocha não tinha comorbidades, mas faleceu de covid-19 (Foto: arquivo pessoal)

MEDIDAS DE PROTEÇÃO  

Com a contaminação mais suscetível nos profissionais que atuam contra a pandemia, a Prefeitura já afirmou a priorização de testes entre servidores da saúde que apresentarem sintomas gripais.

Na última quarta-feira (24), um decreto da Prefeitura designou férias compulsórias, dispensa ou trabalho administrativo para profissionais que sejam do grupo de risco. Em transmissão nas redes sociais o prefeito Jonas Donizette (PSB) informou a medida como prevenção à contaminação.  

"O que estamos fazendo é dar proteção, estabilidade institucional, para que os servidores da saúde, que são do grupo de risco e trabalham diretamente na linha de frente, sejam remanejados para outras funções ou dispensados", disse o prefeito.  

Conforme o decreto, entre os profissionais de grupo de risco que devem ser remanejados ou dispensados estão pessoas com 60 anos ou mais; cardiopatas, graves ou descompensados; pneumopatas, graves ou descompensados; imunodeprimidos; doentes renais; diabéticos, gestantes ou lactantes e pessoas com doenças cromossômicas em estado de fragilidade imunológica.  

REIVINDICAÇÕES  

Na manhã da última terça-feira (23) profissionais da saúde fizeram um protesto em frente ao HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp. A ação foi organizada pelo STU (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp) e cerca de 30 pessoas participaram do ato.  

Segundo o sindicato, o protesto foi realizado para reivindicar reforço de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e também a ampliação da testagem dos profissionais que trabalham em toda a área de saúde da universidade.  

Em cartazes os profissionais escreveram frases como: "As vidas dos trabalhadores e das trabalhadoras da saúde importam", "Com saúde não se brinca. Exigimos respeito". Eles também pediram melhores condições de trabalho, principalmente aos que estão atuando na linha de frente ao combate a pandemia do novo coronavirus.  

Por meio de nota, o Hospital de Clínicas refutou que o estoque de EPIs está normal e disse que segue todos os protocolos de uso em ambientes COVID ou e não COVID estabelecidos pela OMS e Ministério da Saúde.  

Ainda segundo HC, há uma rastreabilidade de toda equipe envolvida desde a chegada na instituição com pacientes contaminados, e em caso positivo do paciente, mesmo que assintomático, ele será

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