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Denúncias de violência contra a mulher crescem 195%

Relatório do Sisnov (Sistema de Notificação de Violência) mostra aumento de registros de agressões de gênero nos últimos cinco anos

| ACidadeON Campinas

13ª edição do Boletim Sisnov foi divulgado nesta terça-feira (Foto: Divulgação)

O número de notificações de violência contra a mulher cresceu 195,9% em Campinas nos últimos cinco anos. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10), no lançamento do 13º Boletim do Sisnov (Sistema de Notificação de Violência), na Prefeitura.

O evento marcou o Dia Internacional dos Direitos Humanos e o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, comemorado hoje (10).

O levantamento compara os dados dos últimos cinco anos. Segundo o boletim, em 2014 foram registradas 367 ocorrências de violência contra a mulher, contra 1.086 notificações em 2018. O cônjuge foi o principal autor de violência, com 463 noticações, ou seja, 42,6% do total de registros do ano passado.

A secretária municipal de Assistência Social e Segurança Alimentar, Elaine Jocelaine Pereira, atribui o sexismo como uma das causas das agressões.

"Ao longo desses anos de Boletim Sisnov a questão do fenômeno do autor da violência o ser o homem, o marido, tem sido comum. Não tem como indissociar da questão do sexismo estruturante do nosso país", comenta.

"Consequentemente esse pensamento de subalteridade e hierarquia nas relações entre homens e mulheres propicia que o homem entenda que tem uma autorização para a violência contra a mulher", completa a secretária.

PERFIL

O maior número de vítimas tinha entre 20 e 29 anos, fato semelhante aos anos anteriores, com 380 dos registros (35%). A forma de violência mais frequente foi a física, com 551 notificações, representando 50,7%. Em segundo aparece a tentativa de suicídio com 251 noticações, 23,1% do total, e violência sexual, com 150 das noticações (13,8%).

Em 2018, sete mulheres foram vítimas de feminicídio em Campinas. Uma delas foi Élida Paula, morta a facadas pelo companheiro na noite do dia 26 de dezembro, na frente do filho de 12 anos.

MAIS INFORMAÇÃO

Para a secretária, o aumento pode ser relacionado ao aumento de informações pelas pessoas sobre esse tipo de violência, gerando mais notificações.

"Há a possibilidade da ocorrência maior do fenômeno da violência, mas de outro lado também há a hipótese maior da notificação pelo conhecimento maior dos profissionais e da própria população a respeito desse tipo violência, da ocorrência, dos sinais, o que leva as pessoas a denunciarem mais, a notificarem mais. Isso possibilita tratar mais preventivamente a as situações de enfrentamento a violência", diz Elaine.

Entre as alternativas para combater esse crescimento, a secretária cita o aprimoramento de políticas públicas como o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), além das ações efetivas do Ceamo (Centro de Apoio à Mulher Operosa) e das parcerias com a Defensoria Pública, varas especializadas e com as polícias Militar e Civil.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Em relação à violência contra crianças e adolescentes, Campinas registrou uma média de três notificações por dia durante todo ano passado. Foram 1.121 registros - sendo 480 em meninos e 641 em meninas. A maioria das notificações foi no grupo etário de 0 a 11 anos com 678 casos (60,5%).

A negligência segue sendo o tipo de violência mais noticada, com 379 registros (33,8%), seguido de violência sexual (269), representando 24% dos casos.

Entre os autores, os pais aparecem em primeiro lugar com 689 noticações (61,5%), que somados às demais noticações relativas à pessoa com relação familiar e conhecidos, somam 890 (79,4%) das noticações.

IDOSOS

O 13º Boletim do Sisnov também trouxe dados sobre a violência contra idosos. Em 2018 foram 120 ocorrências, sendo 34 no sexo masculino e 86 no sexo feminino. A violência mais noticada foi a física, com 51 registros, seguida de negligência, com 29. Os principais autores foram os filhos ou netos, com 53 casos.

VIOLÊNCIA SEXUAL

No campo da violência sexual, predominaram as notificações para a faixa de idade entre 0 e 19 anos, com 293 registros (68,6% do total). A maior parte de notificações ocorreu no Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher) da Unicamp, unidade de referência para violência sexual, com 224 notificações.

O estupro foi a forma de violência sexual mais notificada no ano passado, com 339 registros, sendo que em 2017 haviam sido notificados 295 casos, mostrando um aumento significativo nas notificações desse tipo de violência aumento de 14,9%.

O número do ano passado foi o maior desde que o boletim foi criado, representando aumento de 52% em comparação aos dados divulgados em 2014. 

O relatório completo está disponível neste link.

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