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Protesto dos petroleiros vende botijão de gás por R$ 38

Ação da greve do petroleiros vendeu 200 botijões de gás por R$ 38 na Vila Boa Vista, em Campinas. Ação era voltada para famílias da periferia

| ACidadeON Campinas

Botijão foi vendido a R$ 38 (Foto: Luciano Claudino/Código 19)

A venda de botijões de gás por R$ 38 formou uma fila no fim da madrugada deste sábado (8), na Vila Boa Vista, em Campinas. A fila para comprar uma unidade com o valor mais barato começou a se formar às 5h, com a distribuição de senhas às 9h. A venda é um protesto por parte da greve dos petroleiros, que completa uma semana hoje.  

Um total de 200 botijões de gás foram vendidos por um preço mais em conta para moradores da Vila Boa Vista, do Parque Via Norte e do Chico Amaral. A ação foi organizada pelo Sindipetro (Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo) e teve como objetivo conversar com a população e expor, segundo o sindicato, como o valor cobrado pela Petrobras é abusivo. 

As unidades foram vendidas por R$ 38, um valor cerca de 48% mais barato que os R$ 78 cobrados atualmente. A venda foi exclusiva para famílias do bairro, mediante comprovação de endereço e a entrega de um botijão vazio. A ação não permitiu que estabelecimentos comerciais, como bares e restaurantes, fizessem a compra.

ECONOMIA  

A cabeleireira Claudinéia Prudêncio foi a segunda a chegar na fila (Foto: Luciano Claudino/Código 19)
Responsável pela renda de uma família de nove pessoas, a cabelereira Claudinéia Prudêncio, de 52 anos, foi a segunda a chegar na fila. Ela não teve como recusar a economia de quase 50% no botijão. "Ganho em torno de R$ 800 por mês, e com estes R$ 40 eu compro mistura para uma semana", disse. "É uma necessidade minha, não tinha como eu não ir".

Ela ficou sabendo da venda pelas redes sociais e pela rua. "Teve até carro de som anunciando", contou. Mesmo assim, muita gente duvidou que a distribuição era verdadeira. "Teve gente na internet falando que era mentira, que iria rolar briga, mas não teve nada disso, foi tudo muito bem organizado". 

PROTESTO

A venda dos botijões pelo preço menor foi parte de um protesto em favor a greve dos petroleiros. Ação foi organizada pelo Sindipetro (Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo) e teve como objetivo conversar com a população e expor, segundo o sindicato, como o valor cobrado pela Petrobras é abusivo.

"Este evento foi feito para denunciar a política de preço praticada pela Petrobras, que estabelece que todo derivado do petróleo seja cotado a partir do dólar internacional", explicou Silvio Marques, petroleiro aposentado que participou da organização da venda dos botijões. "Boa parte do petróleo do Brasil é produzido aqui, mas se cobra da população um valor cotado em dólar, que gira em torno de U$ 60 a U$ 70 por barril de petróleo".

Além da organização do evento, Marques também participou da distribuição dos botijões hoje cedo. "Vendemos todos os 200 botijões e mais gente apareceu depois ", disse.  Os botijões vendidos a R$ 38 foram subsidiados pelo Sindipetro.

Questionada sobre a ação, a Petrobras informou em nota que não tem ingerência no preço ao consumidor final.   


GREVE DOS PETROLEIROS

A greve dos petroleiros completou uma semana neste sábado. O protesto é contra o fechamento de uma fábrica da Petrobras na Fafen-PR (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná) e a demissão de mil funcionários, anunciada pela Petrobras em 14 de janeiro.

Segundo a FUP (Federação Única dos Petroleiros), houve a demissão sem negociação e sem respeitar o acordo coletivo de trabalho. Além disso, os funcionários reivindicam mudanças nas tabelas de turnos, negociações da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), entre outros motivos.

Atualmente, 70 unidades do Sistema Petrobras mobilizadas em 13 estados aderiram à greve. Os funcionários da Replan (Refinaria de Paulínia), estão inclusos neste protesto.

Nessa sexta (7), a Petrobras anunciou a redução de 3% no valor do botijão de gás. O novo preço reduz o custo da unidade do botijão em cerca de R$ 0,85 e passa a valer a partir deste sábado.

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