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Viracopos: quando a segurança é ou não é levada a sério?

Mesmo sem conhecer em detalhes a parte interna da segurança, posso afirmar que ela tem tudo para ser frágil

| Especial para ACidade ON

O especialista em segurança Adalberto Santos (Foto: Divulgação) 

No mês passado Campinas viveu momentos que ficarão marcados na memória da cidade. Um assalto violento ao aeroporto internacional de Viracopos se transformou em um dos eventos mais falados nos últimos tempos pelo Brasil e até mesmo fora do país.  

Como especialista em segurança, após o ocorrido fui muito procurado para avaliar o nível de segurança das instalações do aeroporto. Mesmo sem conhecer em detalhes a parte interna da segurança, posso afirmar que ela tem tudo para ser frágil. Por que essa afirmação? Pelo simples fato de que a base da segurança de instalações é criar mecanismos com um bom nível de inibição a ponto que esses não ocorram com o índice de reincidência que temos visto nos últimos tempos. Em 2015, por exemplo, tivemos três ações. No ano passado uma ocorrência. E outra em outubro deste ano. Se estivéssemos falando de futebol, poderíamos dizer que o aeroporto virou freguês da marginalidade organizada.  

Como já dissemos, a base da segurança é criar mecanismos de inibição adequados ao nível de atratividade do local e aquilo que ela possui, depois temos o nível de detecção, onde caso a inibição não funcione, podemos detectar a tempo uma invasão. Em seguida, se detectamos algum problema temos que ter mecanismos para verificar a ocorrência de forma rápida e precisa, logo após os mecanismos de retardo, ou seja, retardar a ação delituosa, a tempo de utilizar os meios de reação. Um conceito claro na segurança é que "a verdade de hoje, já não é mais a verdade de amanhã", pois o crime é dinâmico e a segurança não pode ser estática. Sistemas utilizados hoje, podem não servir para mais nada amanhã. Segurança exige investimento constante em proporções adequadas a atratividade e a capacidade do inimigo.  

Em contrapartida e para demonstrar claramente o que estamos querendo dizer, vejamos o caso do estado do Ceará, que já foi considerado (em especial a capital Fortaleza) um dos estados mais violentos desse país, e o que temos assistido é uma expressiva queda dos índices de criminalidade. Fomos até Fortaleza para entender quais são os fatores que estão levando o Estado a obter esses resultados. Em conversa com o Dr. André Santos Costa, Secretário de Segurança Pública e Defesa Social e com o Superintendente da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), Aloísio Vieira Lira Neto, o que vimos é que estão sendo feitos muitos investimentos em segurança pública.  

Um trabalho de investimento em recursos humanos, (tanto no aumento do efetivo, quanto na qualificação desses homens); em tecnologias de primeiro mundo; (reconhecimento facial, aplicativos com participação da comunidade, sistemas de detecção de placas, entre outros); em políticas de combate ao crime organizado dentro e fora dos presídios; um trabalho que integra todas as ferramentas de defesa e segurança, bem diferente do que vemos por aí. Vocês devem se lembrar que há pouco tempo esse mesmo Estado enfrentou um conflito intenso com a criminalidade, com ações semelhantes a atos terroristas, mas a crise foi sufocada e a ordem se restabeleceu. O motivo? Houve enfrentamento e resposta à altura. Contra o crime as coisas têm que acontecer assim, é preciso investimento maciço, seja na segurança pública ou privada e de muita inteligência.  

O que tem a ver o assalto ao aeroporto de Viracopos e a queda da criminalidade no estado do Ceará? A resposta é simples! Quando se faz a lição de casa direitinho, os resultados acontecem, ou melhor, as coisas param de acontecer.

Adalberto Santos é especialista em segurança e diretor superintendente da Sigmacon. É consultor, palestrante, analista em segurança empresarial e criminal. Possui pós-graduação de processos empresariais em qualidade, MBA em administração e diversos títulos internacionais na área de segurança.

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