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Estupro de vulnerável merece ações urgentes - e não só do Estado

Cada um pode fazer a sua parte para identificar e coibir abusos contra menores

| Especial para ACidade ON

Apesar de estarmos muito mais ligados à segurança privada do que à segurança pública, as duas tem uma inter-relação muito grande, afinal, não se faz segurança privada sem um bom conhecimento em segurança pública. Por também estarmos há muitos anos estudando e trabalhando junto a centenas de condomínios fechados horizontais de alto padrão, vivenciamos uma série de ações que na segurança pública também se vive, afinal, esses condomínios são pequenas cidades onde o comportamento do ambiente interno não difere em quase nada do ambiente externo. 

Por que iniciamos esse artigo dessa forma? Porque o assunto que vamos tratar é extremamente espinhoso e infelizmente acontece em todas as classes sociais; dos condomínios mais elegantes até as comunidades com os maiores índices de vulnerabilidade social.  

Estamos falando de pedófilos, estupro de vulnerável; um crime de extrema crueldade e monstruosidade - e infelizmente de baixa capacidade policial de prevenção, por razões óbvias. Essa preocupação se justifica em especial porque em nossa região houve um aumento de quase 10% desse delito entre os anos de 2018 e 2019 e algo precisa ser feito com urgência. Nossas crianças estão em perigo iminente, expostas todos os dias e o tempo todo, pois nunca sabemos quem eles são, e quando descobrimos, muitas vezes já é tarde demais. Os criminosos podem até ser presos, porém, a vítima já esta marcada para o resto da vida e as consequências dessas marcas são imprevisíveis.  

Dos crimes de estupro de vulnerável, mais de 80% dos casos são cometidos por pessoas que nem imaginamos; geralmente são pessoas que tem algum tipo de convívio com a vítima e seus familiares. São pais, padrastos, tios, vizinhos, amigos, religiosos, educadores, e tantos outros que estão com frequência em uma relação muito próxima à sua inocente presa. Não vemos uma solução para a causa e a prevenção através da segurança pública. Para que haja uma diminuição efetiva dos casos é necessário um trabalho em conjunto de outras instituições, como as Secretarias da Educação e da Saúde e o Ministério Público.  

Na ordem, a Secretaria da Educação levando a essas crianças e seus responsáveis um trabalho de conscientização, orientando para que elas aprendam a dizer NÃO, que elas saibam que devem ser respeitadas, inclusive pelos próprios pais. Por sua vez os pais devem ser treinados para observar atitudes suspeitas de pessoas ao seu redor e também saber conversar com os filhos de maneira apropriada para que os ajudem a se defender, já que na maioria das vezes eles sofrem ameaças, como por exemplo: "Se contar para alguém eu mato seu pai, eu mato sua mãe". Os pequenos não têm estrutura para suportar tais condições.  

A Secretaria da Saúde, através de acompanhamento das vítimas, além de impedir que essas pessoas convivam em sociedade, já que além de ser um crime, é também uma doença, e infelizmente nunca vi alguém que se curou.  

O Ministério Público, determinando a criação de um banco com o nome desses indivíduos e impedindo que, mesmo após cumprimento de pena, possam ter contato ou se aproximar de crianças e adolescentes, com pena de retorno à prisão.
Para os pais e responsáveis aqui vão algumas sugestões para minimizar a chance de isso acontecer em sua família, até que os órgãos públicos não consigam resolver esse dilema com maior eficácia:  

1. Mudanças de comportamento
O primeiro sinal é uma possível mudança no padrão de comportamento da criança, como alterações de humor entre retraimento e extroversão, agressividade repentina, vergonha excessiva, medo ou pânico. Essa alteração costuma ocorrer de maneira imediata e inesperada. Em algumas situações a mudança de comportamento é em relação a uma pessoa ou a uma atividade em específico.

2. Proximidades excessivas
A violência costuma ser praticada por pessoas da família ou próximas da família na maioria dos casos. O abusador muitas vezes manipula emocionalmente a criança, que não percebe estar sendo vítima e, com isso, costuma ganhar a confiança fazendo com que ela se cale.

3. Comportamentos infantis repentinos
É importante observar as características de relacionamento social da criança. Se o jovem voltar a ter comportamentos infantis, os quais já abandonou anteriormente, é um indicativo de que algo esteja errado. A criança e o adolescente sempre avisam, mas na maioria das vezes não de forma verbal.

4. Silêncio predominante
Para manter a vítima em silêncio, o abusador costuma fazer ameaças de violência física e mental, além de chantagens. É normal também que usem presentes, dinheiro ou outro tipo de material para construir uma boa relação com a vítima. É essencial explicar à criança que nenhum adulto ou criança mais velha deve manter segredos com ela que não possam ser compartilhados com pessoas de confiança, como o pai e a mãe, por exemplo.

5. Mudanças de hábito súbitas
Uma criança vítima de violência, abuso ou exploração também apresenta alterações de hábito repentinas. O sono, falta de concentração, aparência descuidada, entre outros, são indicativos de que algo está errado.

6. Comportamentos sexuais
Crianças que apresentam um interesse por questões sexuais ou que façam brincadeiras de cunho sexual e usam palavras ou desenhos que se referem às partes íntimas podem estar indicando uma situação de abuso.

7. Traumatismos físicos
Os vestígios mais óbvios de violência sexual em menores de idade são questões físicas como marcas de agressão, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. Essas são as principais manifestações que podem ser usadas como provas à Justiça.

8. Enfermidades psicossomáticas
Unidas aos traumatismos físicos, enfermidades psicossomáticas também podem ser sinais de abuso. São problemas de saúde, sem aparente causa clínica, como dor de cabeça, erupções na pele, vômitos e dificuldades digestivas, que na realidade têm fundo psicológico e emocional.

9. Negligência
Muitas vezes, o abuso sexual vem acompanhado de outros tipos de maus tratos que a vítima sofre em casa, como a negligência. Uma criança que passa horas sem supervisão ou que não tem o apoio emocional da família estará em situação de maior vulnerabilidade.

10. Frequência escolar
Observar queda injustificada na frequência escolar ou baixo rendimento causado por dificuldade de concentração e aprendizagem. Outro ponto a estar atento é a pouca participação em atividades escolares e a tendência de isolamento social.  

Fonte: www.childhood.org.br

Adalberto Santos é especialista em segurança e diretor superintendente da Sigmacon. É consultor, palestrante, analista em segurança empresarial e criminal. Possui pós-graduação de processos empresariais em qualidade, MBA em administração e diversos títulos internacionais na área de segurança.

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