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Bélgica bate Inglaterra e entra na rota da seleção brasileira

Duelo entre ingleses e belgas seguia sem muitas emoções até que Januzaj acertou um lindo chute para fazer o único gol

| Folha Press

Adnan Januzaj celebra golaço marcado contra a Inglaterra (Foto: Alastair Grant / Associated Press / Estadão Conteúdo)
 

A seleção da Bélgica bem que tentou evitar o resultado, mas o talento daquela que é considerada a melhor geração do futebol de seu país acabou prevalecendo e colocou o time na chave mais recheada de campeões mundiais da Copa do Mundo. 

Ao vencer a Inglaterra por 1 a 0, gol do atacante reserva Januzaj, os belgas pegarão o Japão nas oitavas de final. A partir daí, é a proverbial pedreira.  

Nas quartas, na hipótese de o Brasil superar o México, estará o pentacampeão time de Tite. Na semifinal, Argentina (dois títulos), França (uma Copa) ou Uruguai (dois distantes títulos), além de Portugal de Cristiano Ronaldo.  

A vida da Inglaterra é, pelo critério da tradição dos adversários, bem mais simples. No seu horizonte, a única campeã é a Espanha, a quem pegará na semifinal se ambos os times avançarem em sua chave.  

Na véspera do jogo, tanto o técnico inglês, Gareth Southgate, quando o da Bélgica, Roberto Martínez, faziam juras ao clichê de que não se pode escolher adversário.  

Mas a realidade estava dada na escalação. Nada menos que nove belgas e oito ingleses que começaram o jogo eram reservas.  

As estrelas dos times foram todas poupadas -algumas até com motivo, como o astro belga De Bruyne, pendurado com um amarelo, e o vice-artilheiro da Copa, Romelu Lukaku, voltando de lesão.  

Harry Kane, o artilheiro da Copa com cinco gols e estrela do time inglês, não entrou em campo nem no segundo tempo.
No primeiro tempo, os times até que tiveram algumas chances de gol, em especial os belgas. Um chute aos 6min de Tielemans obrigou uma defesa bonita de Pickford. Três minutos depois, uma bola espirrada quase entrou na meta inglesa, sendo salva por Cahill em cima da linha.  

Empatados em todos os critérios regulares, sobrava o fair play. A Inglaterra começou o jogo com dois cartões amarelos, contra três da Bélgica.  

Os belgas não perderam tempo. Tomaram dois cartões já na primeira etapa, evitando que uma eventual punição aos ingleses levasse a decisão da liderança do grupo a um sorteio.  

Muito vaiados do meio para o fim da primeira etapa, a exemplo do que ocorrera na terça (26) no empate entre França e Dinamarca, os times voltaram ao segundo tempo com ânimo renovado.  

A Bélgica tocava bolas com mais objetividade e, logo aos 6min, Januzaj acertou um belo chute no canto esquerdo de Pickford.  

Passados os primeiros 20 minutos, foi a vez de a Inglaterra jogar confortavelmente pela derrota. Mesmo quando teve um gol feito à mão, o atacante Rashford chutou desajeitadamente para fora.  

O jogo seguiu em banho-maria. Aos 30min, a primeira estrela belga deixou o banco, o zagueiro Kompany. Perto do fim, aos 40min, foi a vez do atacante Mertens, e houve duas chances claras de ampliar o marcador para os belgas.  

A partida teve 33.973 espectadores, e um número visivelmente maior de fãs ingleses presentes do que nos outros dois jogos que o time disputou no grupo.  

Na véspera, Southgate havia reclamado da falta de presença de torcedores, creditando à difícil fase do relacionamento entre Rússia e Reino Unido. Ele admitiu: as pessoas estavam com temores, para ele infundados, de visitar a Rússia. Alguns dos fãs presentes chegaram a fazer bate-volta, vindos da vizinha Polônia, para ver o jogo sem precisar se hospedar em solo russo. 

Em março, o governo britânico acusou diretamente o Kremlin de envenenar um ex-espião russo na Inglaterra, o que levou a uma expulsão mútua de diplomatas e diversas acusações de lado a lado. 

A rivalidade surgiu brevemente no meio do segundo tempo, quando o canto de "Rússia" dos torcedores locais foi respondido pela execução do hino britânico pela charanga inglesa, cantado a plenos pulmões pelos visitantes. 

Arte: Gaspar Martins / A Cidade

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