Aguarde...
ON Run

onrun

Atletas negros são melhores corredores?

20 de Novembro: É dia nacional da consciência negra. Os países que mais se destacam na corrida de rua são os do continente africano. Veja o que o Brasil pode aprender com esses exemplos para se tornar referência mundial na modalidade

| ON Run


O Brasil poderia ser referência mundial na corrida de rua? (Foto: Ofotográfico / Folhapress)
Quando falamos sobre a corrida de rua ou sobre os melhores do mundo na corrida, nossos pensamentos vão automaticamente para o Quênia, Etiópia ou outro país africano.  

Mas alguns fatos podem nos ajudar a entender porque o Brasil poderia ser um dos melhores do mundo, ter uma quantidade maior de atletas e não necessitar nem exigir tanto das nossas estrelas solitárias nos jogos olímpicos e mundiais, que aparecem a cada 10 anos ou mais.  

Que os melhores do mundo na corrida de rua estão na África não há dúvidas, os resultados estão aí para justificar essa afirmação. Os 20 melhores resultados do mundo pertencem a África, em sua grande maioria, aos atletas do Quênia e Etiópia.  

O Brasil teve um período da sua história marcada pela escravidão, com escravos vindo da África, grande parte proveniente da região do chifre da África, por ter maior proximidade com o Brasil. Esses escravos chegavam de navios através dos portos de Santos e do Rio de Janeiro, espalhando-se em diversas regiões, entre elas a cidade de Campinas, na lavoura de café, mas principalmente, em Diamantina, Ouro Preto, Mariana - cidades históricas de Minas. Depois, foram migrando por várias regiões e formando os quilombolas, ou seja, o DNA dos grandes campeões está entre nós.  

Outro fato que justifica essa afirmação, é que tivemos um recordista mundial na maratona, o mineiro Ronaldo da Costa, quebrou um recorde que já durava 10 anos e pertencia a um Etíope.
Nosso recordista tem descendência africana. Vale destacar outros grandes atletas brasileiros, embora não sejam da corrida de rua, também foram referências mundiais como Adhemar Ferreira, João Carlos e Nelson Prudêncio, atletas acima da curva e referências mundiais.  

Então, por qual motivo continuamos a viver de estrelas solitárias no atletismo, principalmente na corrida de rua? O que os países africanos fazem de tão diferente para serem melhores, entre várias teorias, destaco abaixo as que já ouvi: Eles são negros e o negro é mais forte, residem na altitude, tem o fêmur maior, tem o tórax maior, seu nível de VO2 é superior e por serem pobres, vão e voltam da escola correndo.  

De tudo que ouvi e li sobre os atletas africanos o que mais me convenceu, não foi a altitude, mas sim, a ATITUDE. Praticar uma atividade em um país que é de terceiro mundo, mas que possui os melhores colocados, e ver isso acontecendo desde muito cedo com seus irmãos, primos, sobrinhos, colegas de vilarejo, atletas sendo recebidos como heróis, tendo na sua escola uma árvore com o nome de um dos melhores atletas da sua nação.  

Junte isso a uma quantidade enorme de praticantes. Não tem como dar errado, é da quantidade que a África tira a sua qualidade!  

Se fizermos uma conta justa e rápida, relacionando o número de praticantes jovens com idade para serem trabalhados a médio e longo prazo, certamente teremos muito que comemorar o feito do nossos treinadores e atletas.

Mais do ACidade ON