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Cotidiano

Corrente do bem tenta salvar árvores da Glicério

Comerciantes e moradores se uniram para evitar que pedestre joguem lixo nas floreiras da Glicério

| ACidadeON/Campinas

Floreiras na Avenida Glicério ganharam plaquinhas para não virarem lixo para pedestres. (Foto: Denny Cesare/Código19) 

Uma corrente do bem entre comerciantes e moradores da Avenida Francisco Glicério, no Centro de Campinas, está tentando conscientizar e assim proteger as árvores plantadas nos vasos colocados ao longo da via pela Prefeitura. O projeto de arborização da avenida começou no ano passado com cerca de 70 vasos gigantes com árvores nativas da cidade. Porém, desde que foram instalados, os vasos passaram a ser usados como lixeiras. 

A iniciativa passou a espalhar placas alertando que o local não é lixo e em alguns vasos foram plantadas outras mudas menores. Segundo os coordenadores da ação, isso já fez com que muita gente deixasse de jogar lixo nas floreiras.

Uma das responsáveis pela ação é a gerente de loja Vanessa Paula Vieira, de 40 anos. Ela conta que desde que as floreiras foram colocadas na calçada em frente à loja onde trabalha passou a prestar atenção na atitude das pessoas, que muitas vezes sem consciência, jogavam bitucas de cigarro e lixo no local. "Era como um grande cinzeiro e uma lixeira. As pessoas deixavam copos, papel e até resto de comida. Via aquilo e não me conformava. Chegava a chamar atenção, para não fazerem isso e sempre acabava em discussões que terminavam em xingamentos", afirmou.

Inconformada com a atitude de muitas pessoas ela resolveu criar uma plaquinha para ser colocada nos vasos e assim despertar a consciência das pessoas. "Nela escrevi: Por favor, me proteja. Este vaso é minha casa. Não jogue lixo. Obrigada".

Primeiro ela colocou a plaquinha em três vasos do entorno de sua loja. "Passei a observar que as pessoas iam jogar algo, mas liam e não jogavam. Porém, as plaquinhas sumiram. Mesmo assim insisti e coloquei outras. Além disso, passei a colocar mudas de outras plantas que também foram furtadas. Fui lá e plantei de novo".

Tanta persistência deu certo, e hoje, a quantidade de lixo deixada nos vasos está quase zero. "Acredito que reduziu 80% da quantidade de lixo colocado nas floreiras", avalia.

A ação da gerente acabou replicada para os demais comerciantes e moradores da região. "Alguns vieram me pedir a plaquinha e para outros entreguei e pedi para que cuidassem. A maioria adorou a ideia e me ajuda. Inclusive uma moradora da avenida passou a plantar mudas nos vasos ao longo da avenida".

A ação também é apoiada pelo protetor da causa animal Flávio Lamas, que viu a iniciativa da gerente em uma postagem do Facebook. "Vi o que ela fazia e fui conversar para apoiar a iniciativa. Se todas as pessoas tivessem a consciência dela em cuidar do espaço em que vivemos, nosso mundo seria outro", afirmou.

A Prefeitura informou que promove campanhas de conscientização da população para que não jogue lixo no local e vê de forma positiva ações da sociedade para cuidar das floreiras no local.  



PROJETO

O projeto de arborização da Avenida Francisco Glicério consiste na implantação de cerca de 100 árvores das espécies ipês-amarelos, ipês-rosas, pau-brasil, copaíba, entre outras, no trecho entre a Orosimbo Maia e o pontilhão da Aquidabã.

Quando foram colocadas no local as árvores possuíam cerca de 2 metros e meio de altura, e podem chegar a três ou quatro metros de altura quando adultas. As espécies foram selecionadas e pesquisadas para que houvesse, num período curto, a adaptação ao ambiente da avenida, levando ao centro da cidade mais saúde e qualidade de vida. As espécies têm como característica comum o fato de possuírem copas grandes, o que favorece a formação de áreas de sombra na avenida.

As árvores foram plantadas em caixas de aço de grande porte. Não foram plantadas no chão porque as raízes poderiam prejudicar a fiação subterrânea instalada na revitalização da avenida.

Os vasos foram grafitados com imagens de animais nativos da Mata Santa Genebra e de outros ambientes do Brasil, como a arara-azul e a onça-pintada. As obras foram produzidas pelo artista plástico Alexandre Filiagi.

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