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Cotidiano

Como garantir a saúde do seu colaborador no home office

O mapeamento dos funcionários em relação a saúde física e mental, após de pandemia é fundamental para o desenvolvimento de ações específicas de prevenção e promoção de saúde

| Especial para ACidade ON

Lucila de Campos. (Foto: Divulgação)

Embora a modalidade home office tenha crescido nos últimos anos, nada foi mais decisivo do que a pandemia de coronavírus para aumentar esse número significativamente. Porém, não se trata apenas de uma troca de local de trabalho. Embora num primeiro momento o home office aparente ter somente vantagens, uma vez que o horário torna-se mais flexível e a rotina de deslocamento diário passa a ser evitada com sobra deste tempo para aplicação em outras atividades, surgem com ele muitos desafios.

Tudo começa com a busca de um local "tranquilo" na casa para trabalhar, o compartilhamento deste espaço com outros membros da família, escritórios improvisados sem todos os recursos necessários e adaptações na rotina como a necessidade de fazer todas as refeições em casa. Cresce a necessidade de autocontrole, automotivação e a organização passa a ter um peso ainda maior.

Em busca rápida que realizei nos sites de empresas e redes sociais percebi que se proliferam uma série de "dicas" de como manter a saúde e qualidade de vida durante o home office. Foram cridos guias com ações instigando o funcionário a manter a saúde mental e física:

- Cuidar da ergonomia, levantar-se da cadeira a cada uma hora para ativar a circulação das pernas;

- Alongar-se durante o dia, por exemplo periodicamente fazer movimentos circulares nos punhos;

- Ter uma garrafa de água fresca sempre ao lado;

- Cuidar da alimentação evitando ganho de peso;

- Ter boas noites de sono e reservar tempo para si mesmo,

- Manter a tranquilidade no trabalho.

À primeira leitura, todas são dicas bastante úteis, porém a pergunta que gostaria de levantar é: será que realmente esta cartilha é o suficiente para manter a saúde durante a pandemia? O que as empresas podem fazer a mais para garantir a saúde mental e física de seus funcionários, que estão pressionados pelo medo da pandemia, incertezas em relação ao futuro financeiro da família, dificuldade de acesso a serviços médicos sejam estes de urgência ou de rotina para controle de doenças crônicas.

Após 1 ano de pandemia, um estudo realizado por Brooks (2020), em fevereiro deste ano, identificou cinco fatores de estresse principais durante o período de quarentena, que podem ter impacto direto sobre a saúde nas empresas:

a duração da quarentena;

o medo de infecção;

a frustração e tédio;

os suprimentos inadequados e

as informações inadequadas.

O mapeamento dos funcionários em relação a saúde física e mental, após de pandemia é fundamental para o desenvolvimento de ações específicas de prevenção e promoção de saúde.

Muitos pacientes pertencentes a grupos de riscos como hipertensos, diabéticos deixaram de fazer o acompanhamento de doenças crônicas. A obesidade passa a ser um risco presente no dia a dia de todos em quarentena com o isolamento social e diminuição de atividades físicas.

Está ocorrendo uma maior prevalência dos transtornos de depressão, ansiedade, insônia, aumento do consumo de substâncias psicoativas e desenvolvimento de síndrome do pânico na pandemia, com impacto direto na produtividade dos funcionários e com possíveis consequências a longo prazo para o indivíduo não tratado.

As empresas além do pagamento do segura de saúde e envio de dicas de autoajuda e bem-estar devem reunir esforços no sentido de compreender os impactos reais que a pandemia provocada pelo novo coronavírus apresenta sobre os cenários da saúde de suas equipes, em curto, médio ou longo prazo, e desenvolver planos individualizados para cada situação. É eminente a necessidade de retomada das consultas médicas direcionadas, mesmo que a distância, realização de exames periódicos de prevenção e controle, e suporte psicológico e psiquiátrico específico durante a quarentena.

Um estudo realizado em 2003 (MAUNDER; VICENT; et al. apud BROOKS, 2020) sobre os impactos psicológicos e ocupacionais imediatos do surto de SARS sugeriu que ter uma linha de suporte telefônico, composta por enfermeiras psiquiátricas, especificamente para aqueles em quarentena poderia ser uma estratégia eficaz para reduzir os fatores de estresse.

No caso de infecção por coronavírus, os funcionários devem receber um plano de ação para diagnóstico e tratamento, não só para ele como para sua família, com canais abertos para comunicação e informações de como fazer o teste e o que fazer após o diagnóstico. O medo da doença também é paralisante e ter a certeza de quais os passos que devem ser tomados é essencial.

Estas medidas se colocadas em prática a partir de agora evitarão uma grande sobrecarga econômica relacionada a saúde no médio prazo além de contribuírem de maneira concreta para promoção de saúde do indivíduo.

Lucila de Campos - é co-founder e diretora médica da healthtech Precavida, médica Alergista e Imunologista Clinica e mestre em Imunologia Clinica e Alergia pela Faculdade de Medicina da USP, MBA executivo internacional / FIA USP


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