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Dormir bem reduz o risco de demência e morte

Já sabemos que o sono é fundamental para a saúde física e psíquica, mas, a cada dia, as pesquisas apontam novos benefícios

| ACidadeON Campinas -

O médico Werther Busato (Foto: Divulgação)

Em uma postagem recente no blog da Harvard Medical School, discutiu-se como o sono é benéfico para a função da memória. Mas recentemente novos estudos científicos descobriram que dormir bem pode reduzir o risco de demência e até de morte. Embora já se saiba há algum tempo que os indivíduos com demência frequentemente têm sono pobre e fragmentado, dois novos estudos sugerem que, se você não dormir o suficiente, corre um risco maior de sofrer de demência.

Portanto, a dica preciosa que quero dar para vocês é tentar dormir de seis a oito horas todas as noites. No primeiro estudo, pesquisadores da Harvard Medical School avaliaram mais de 2.800 pessoas com 65 anos ou mais participando do National Health and Aging Trends Study para examinar a relação entre seu autorrelato das características do sono em 2013 ou 2014 e o desenvolvimento de demência ou morte cinco anos depois. Os pesquisadores descobriram que indivíduos que dormiam menos de cinco horas por noite tinham duas vezes mais chances de desenvolver demência e duas vezes mais chances de morrer, em comparação com aqueles que dormiam de seis a oito horas por noite. Este estudo controlou as características demográficas, incluindo idade, estado civil, raça, educação, condições de saúde e peso corporal.

No segundo estudo, pesquisadores na Europa (incluindo França, Reino Unido, Holanda e Finlândia) examinaram dados de quase 8.000 participantes de um estudo diferente e descobriram que dormir consistentemente seis horas ou menos aos 50, 60 e 70 anos era associado a um aumento de 30% no risco de demência em comparação com uma duração normal de sono de sete horas. A idade média do diagnóstico de demência foi de 77 anos. Este estudo controlou fatores sociodemográficos, comportamentais, cardiometabólicos e de saúde mental, embora a maioria dos participantes fossem caucasianos, com melhor nível de escolaridade e mais saudável do que a população em geral. Além disso, aproximadamente metade dos participantes teve a duração do sono medida de forma objetiva por meio de um acelerômetro vestível - dispositivo que rastreia o sono por meio de movimentos corporais - que confirmou os dados do questionário.

Sono inadequado na meia-idade pode levar à demência
A novidade aqui é que o sono inadequado na meia-idade aumenta o risco de demência. Existem muitas razões para o sono insatisfatório na meia-idade: profissões que exigem trabalhos que podem ocorrer por turnos, insônia, responsabilidades de cuidar de si e de outros, ansiedade e prazos urgentes, apenas para citar alguns. Embora nem todos sejam controláveis, alguns são. Por exemplo, se você atualmente dorme apenas de quatro a cinco horas porque fica acordado até tarde trabalhando todas as noites, pode querer mudar seus hábitos, caso contrário, corre o risco de desenvolver demência quando se aposentar!

Essa relação entre o sono na meia-idade e a demência na idade avançada é importante não apenas do ponto de vista clínico, mas também do científico. Sempre foi um pouco problemático tentar interpretar a relação entre sono insatisfatório e demência. Foi realmente o sono ruim que causou a demência ou apenas os primeiros sintomas da demência que causaram o sono ruim? Ao olhar para os indivíduos que foram inicialmente estudados na meia-idade - alguns com 50 anos - agora temos maior certeza de que o sono ruim pode aumentar o risco de desenvolver demência 25 anos ou mais no futuro.

Limpe seu cérebro enquanto você dorme 

Embora não seja totalmente compreendido por que o sono inadequado aumenta o risco de demência, uma possível razão está relacionada à deposição da proteína de Alzheimer, beta amilóide. Essa é a proteína que se agrupa e se aglomera para formar as placas de Alzheimer. Ninguém tem certeza absoluta de qual é sua função normal, embora haja evidências crescentes de que está envolvida na defesa do cérebro contra microrganismos invasores.

Durante o dia, todos nós produzimos parte dessa proteína beta amilóide no cérebro. Quando dormimos, entretanto, as células cerebrais e suas conexões na verdade encolhem. Esse encolhimento permite mais espaço entre as células cerebrais, de modo que a beta amiloide e outras substâncias que se acumulam durante o dia possam ser eliminadas.

Portanto, a teoria é que, se você não dormir o suficiente, seu cérebro não terá também tempo suficiente para drenar beta amiloide e outras substâncias. Essas substâncias continuam a se acumular, dia após dia, até causar demência.

As boas notícias 

A boa notícia é que você pode reduzir o risco de desenvolver essa doença dormindo o suficiente. Um estudo de pesquisadores em Toronto e Chicago examinou pessoas com risco genético aumentado de desenvolver Alzheimer. Eles descobriram que um sono melhor não apenas reduziu a probabilidade de desenvolver a doença de Alzheimer clínica, mas também reduziu o desenvolvimento da patologia no cérebro.

Enquanto os estudos avançam, temos uma certeza: quando for para cama lembre-se que dormir bem é essencial para a boa manutenção da saúde.

Para essa semana desejo que você tenha de seis a oito horas de um sono restaurador! 

Dr. Werther Busato: é médico especializado em Medicina Preventiva e Saúde Ocupacional, nutrologia e com certificação profissional em Programas de Qualidade de Vida. Na carreira corporativa possui vasta experiência na gestão de promoção e prevenção de saúde individual e coletiva em grandes empresas. Na medicina sempre buscou olhar para o paciente como um todo, e desde sua formação na Unicamp, está sempre em busca de novas pesquisas e especializações que tragam qualidade de vida e ajudem a promover a saúde das pessoas. A escolha pela profissão veio da inspiração do avô materno que era um farmacêutico prático e dos irmãos, também médicos.

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