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Demissões crescem 93% na indústria em relação ao ano passado

Setor registrou 1.450 demissões em junho deste ano, enquanto em 2017, foram 750 desligamentos no mesmo período

| ACidadeON/Campinas

 

José Toledo, diretor interino do Ciesp, e Roberto Sabbatini, pesquisador da FACCAMP. (Foto: Renan Lopes/ACidade ON Campinas)

A indústria de Campinas e região registrou 1.450 demissões no mês de junho, um equivalente 93% maior ao mesmo período do ano passado. os dados são do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e foram divulgados nesta terça-feira (24).

O nível de emprego industrial na Diretoria Regional do Ciesp em Campinas (composta por 19 municípios) apresentou resultado negativo para o mês de junho, com uma variação de - 0,91%, equivalente a aproxidamente 1.450 postos de trabalho. 


A indústria registrava números otimistas desde o início deste ano, com 1.550 contrações em janeiro, 300 em fevereiro, 400 em março e 600 em abril. O cenário de contratações, no entanto, passou a regredir a partir do mês de maio, que registro com 250 demissões, e seguiu com de maneira negativa com 1.450 demissões em junho-- o número de junho, inclusive, é quase o mesmo as contratações efetuadas em janeiro desde ano.

A região registra um acúmulo de 0,73% de contratações para o primeiro semestre, equivalente a cerca de 1.150 postos de trabalho.

As áreas industriais mais afetadas pelas demissões de junho foram a de máquinas e equipamentos (-5,24%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-5,08%), produtos de madeira (-4,55) e confecção e artigos do vestuário e acessórios (-3,69%).

CAUSAS

José Henrique Toledo, diretor interino do Ciesp, acredita que um dos principais fatores para o número de demissões em junho é decorrente à greve dos caminhoneiros. "Isso é decorrente da queda da atividade econômica, do Custo Brasil, indefinições em relação a falta de crédito, falta de investimentos e também em relação a greve dos caminhoneiros, que afetou bastante o dia a dia das empresas", diz. "O aumento da gasolina claramente interferiu nos custos de produção".

Responsável por uma sondagem industrial encomendada pelo Ciesp, Roberto Sabbatini, pesquisador do Centro de Pesquisas da Econômicas da FACCAMP, no entanto, ainda vê certo otimismo no setor. "Há uma melhora nas vendas, há um certo otimismo entre os respondentes de nossas pesquisas", explica.

Toledo concorda. "O otimismo está ali, mas podemos ver as dificuldades", explica. "Esperamos que as contratações de fim de ano melhores este quadro".

INVESTIMENTOS

O diretor também classifica a falta de investimentos na indústria com a incerteza do atual cenário político no Brasil, dizendo que as pesquisas presidenciais que ocorrerão nos próximos meses vão ditar o caminho dos investimentos no setor.

"A eleição atrapalha os investimentos porque os investidores querem uma definição do quadro político do próximo governo". "Mês que vem, com a definição dos candidatos, haverá um impacto da atividade produtiva". 


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