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Região de Campinas recebeu 31,7 mil imigrantes em dez anos

Campinas concentra 62% da procura; segundo o estudo, maior imigração no período foi de haitianos

| ACidadeON Campinas

Venezuelanos refugiados pedem ajuda na Aquidabã (Foto: Bárbara Gasparelo/ACidade ON Campinas)

Em dez anos, a RMC (Região Metropolitana de Campinas) recebeu 31,7 mil imigrantes com registros ativos, sendo a maior parte recebida em Campinas, que concentra 62,2% dos novos imigrantes internacionais da região. Os números da imigração na região foram divulgados pelo Atlas 2019 da Imigração, lançado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) nesta segunda-feira (29), levando em conta o período entre 2009 e 2019.  

Segundo o estudo, os principais imigrantes para Campinas são vindos do Haiti, representando 33%, em seguida de venezuelanos, com 25%, e colombianos, com 10%. No início deste ano, um grupo de venezuelanos indígenas foi registrado pelo ACidadeON em praças de Campinas, buscando por ajuda para sobrevivência. 

Além de Campinas, outras cidades da RMC foram procuradas, como Americana, que recebeu 2,2 mil imigrantes (cerca de 7% do total), e Indaiatuba, com 1,8 mil imigrantes, representando 5,8% do número da região.  

O número de 31,7 mil ainda não representa o total de imigrantes nas cidades, pois conta somente a entrada de pessoas neste período e estão documentados, com autorização de residência.  Os solicitantes de refúgio, que estão documentados com registro provisório de permanência e ainda aguardam a decisão da concessão da condição não foram contados pelo estudo. Entre o período, foram registrados 300 refugiados reconhecidos.   

No começo do ano a Prefeitura de Campinas divulgou que o número de refugiados em Campinas subiu 300% no ano passado, segundo um levantamento da Secretaria de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos. Segundo a pasta, a fila de espera de imigrantes com pedidos de refúgio chegava a 2 mil pessoas, sendo a maioria venezuelanos. 

Segundo a professora Rosana Baeninger, colaboradora do estudo da Unicamp, a região é procurada principalmente para inserção econômica. 

"É preciso que a sociedade tenha conhecimento de que o Brasil está na rota das imigrações. As áreas mais dinâmicas do Brasil, como a Região Metropolitana de Campinas, em termos de economia, de serviços, de prestação de serviços, são onde essa população mais vulnerável encontrará em algum momento pós-pandemia a possibilidade de uma inserção laboral", afirmou.

O estudo, segundo a instituição, tem objetivo de traçar o perfil das imigrações para mostrar a vulnerabilidade dessa população. De acordo com a pesquisa, o perfil das pessoas que procuram a região tem mudado cada vez mais, antes procurada por pessoas com alta especialização profissional, que vinham atraídas pelo pólo de tecnologia de Campinas.

Atualmente, a procura é maior por pessoas que buscam refúgio e fogem de problemas sociais e políticos de seus países de origem. A professora ressalta que com a busca dessa permanência, as políticas públicas das cidades devem se voltar para atender também essas pessoas.

"É de fundamental importância que as políticas locais estejam atentas a esse novo fluxo migratório e que, no âmbito de uma região metropolitana, possa fazer sim uma gestão integrada dessa população imigrante e refugiada na metrópole", declarou.

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