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Número de queimadas em Campinas já é o maior em quatro anos

De maio, mês que inicia a Operação Estiagem, até terça, já tinham sido registrados 326 focos de incêndio na cidade

| ACidadeON Campinas -

Número de queimadas em Campinas é o maior em quatro anos (Foto: Denny Cesare/Código19)

Com as altas temperaturas, tempo seco e uma severa estiagem, o número de queimadas contabilizadas neste ano em Campinas já é o maior dos últimos quatro anos. O levantamento é da Defesa Civil, com base em dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). 

De maio, mês que inicia a Operação Estiagem, até a última terça-feira (24), já foram registrados 326 focos de incêndio na cidade. De maio até o fim de setembro do ano passado foram 268 focos de queimadas. Em 2019 foram 192 no mesmo período, e 212, em 2018.  

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Somente neste mês de agosto, até terça já tinham sido contabilizados 94 focos de incêndio em Campinas. Em comparação, nos 31 dias de agosto do ano passado foram contabilizados 79 focos.   

Segundo Ana Ávila, meteorologista do Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura) da Unicamp), as queimadas são uma consequência dos eventos meteorológicos e climáticos extremos. Neste ano, além de frio intenso, com temperaturas recordes em 21 anos, a seca também é uma das piores já enfrentadas.

"É natural que tenhamos um período seco no Inverno, começando nos meados do Outono até o início da Primavera, e as queimadas um número maior atingem sobretudo em agosto em setembro. Mas este ano estamos com número ainda maior por causa de uma seca extrema. Estamos no segundo ano consecutivo com baixo volume de chuva, e tem grande impacto na vegetação, e favorece o rápido aumento de foco de fogo", explicou. 

"Existe uma questão cultural, acidental e até criminosa em relação as queimadas. Mas quando a vegetação está mais ressentida, rapidamente o fogo se alastra e é mais difícil o controle, como estamos vendo agora", pontuou.

ALERTAS 

Nesta semana, a Defesa Civil alertou que as cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas) estariam entre as principais áreas que enfrentam momentos de calor intenso em todo o Estado, aumentando o risco de incêndios. 

O órgão estadual já havia emitido um alerta sobre o risco já que as temperaturas máximas poderiam chegar a 35°C com sensação térmica próxima de 36ºC, sendo esta semana o pior período da estiagem. Na quarta-feira, Campinas teve a maior temperatura do ano, com 34,1°C. Ontem (26), a temperatura máxima ficou em 33,7°C.

TEMPO SECO 

Segundo a Defesa Civil, neste ano também houve aumento nos boletins de baixa umidade relativa do ar, que divulgam alertas sobre o tempo seco na cidade. 

No ano passado, até o fim de setembro foram registrados 76 boletins de estado de atenção (quando a umidade está com índices de 21% até 30%) e 29 boletins em estado de alerta (quando o índice está entre 12% até 20%). 

Já neste ano, até terça já haviam sido contabilizados 79 boletins de estado de atenção, 35 de estado de alerta e outros três de estado de emergência, sendo esse o mais crítico, quando a umidade fica abaixo dos 12%. 

Com fortes ondas de calor e baixa umidade relativa do ar, a sensação é de clima semelhante ao deserto.  

MUDANÇAS CLIMÁTICAS  

Este ano está sendo marcado por mudanças bruscas em relação ao clima a todo momento. Além do tempo seco extremo, a região também vivenciou o inverno mais rigoroso desse século, sendo que em julho Campinas atingiu 3,5°C e teve a temperatura mais baixa em 21 anos.  

A mudança foi demonstrada com os alertas de frio. Segundo a Defesa Civil, em 2020 foram ao todo 40 alertas de baixa temperatura entre maio e setembro. Esse ano, já foram 82.

"Uma das principais consequências das mudanças climáticas são os eventos meteorológicos e climáticos extremos. Esse ano tivemos o evento das geadas, que atingiram o Centro-Sul do país, e agora estamos vivendo uma situação de seca extrema", comentou Ana Ávila, meteorologista do Cepagri. 

CHUVA E MUDANÇA NO TEMPO  

Desde a noite de ontem as condições de tempo começaram a mudar, em função da aproximação de uma frente fria. Os ventos ficaram mais intensos, com velocidades sustentadas em torno de 30 km/h o que deve persistir ao longo do final de semana. 

Segundo o Cepagri a tendência para o final de semana é de céu nublado, temperaturas amenas (ente 17 e 25ºC), ventos moderados. A chuva é esperada a partir da tarde de sábado e, principalmente, no domingo.

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