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Estilista de Campinas cria "porta-máscara" de luxo contra covid-19

Com preços que variam de R$ 120 a R$ 600, adereços são fabricados na cidade e empregaram cinco pessoas em uma semana

| ACidadeON Campinas -

A blogueira Caroline Haddad usando a criação do estilista de Campinas (Foto: Divulgação) 

O estilista de Campinas Luddy Ferreira, de 52 anos, não pensou duas vezes quando a ideia surgiu em sua cabeça: por que não usar um pouco de brilho para espantar o novo coronavírus? Assim que os casos de pacientes começaram a surgir e, com isso, a quarentena, o designer começou a pensar em como poderia se reinventar como artista e não deixar na mão a equipe de funcionários - a maioria mulheres com famílias.

A ideia veio em forma de porta-máscaras de luxo, uma espécie de trama costurada à mão para ser colocada sobre as máscaras hospitalares ou de pano com brilhos, cristais e fios dourados. O preço varia de R$ 120 (peças casuais) a R$ 600 (peças-conceito), devido ao trabalho manual e tempo investidos em cada peça.

"O povo pensa que o lucro é enorme, mas a peça demora muito tempo para fazer, é pontinho por pontinho. É muito artesanal. As peças conceituais (mais caras) levam até dois dias fazendo, com cristal", disse. Ele conta ainda que uma das maiores alegrias foi que, em menos de uma semana, empregou cinco pessoas na produção.  

FEITA DE CASA

O estilista conta que tem separado o material e feito o corte de máscaras com design feito por ele para não incomodar na área do nariz, do seu estúdio, no Cambuí. De lá, manda para as costureiras de alta-costura finalizarem as peças de casa. Depois, as higieniza e envia para as clientes.

Sobre os números de pedidos, ele preferiu não comentar. Mas disse que enviou caixas com pedidos do Rio Grande do Sul, à floresta Amazônica e Nova York. "O vírus não gosta de brilho. É um brincadeira, mas fiquei pensando: 'o que agrada as pessoas?' É um pôr-do-sol, uma lua, uma joia, um brilhante", contou.

Para Luddy, a máscara tem um fundo de tristeza por conta de uma doença auto-imune que ele teve há quatro anos. O estilista teve que usar máscaras hospitalares por seis meses. "Estava com sistema imunológico zerado. E quando você usa uma máscara, te olham com olhar de tristeza ou de medo", disse.

Por isso, colocar brilhos no equipamento de proteção individual traz um ponto de luz. "É para dar uma leveza", explicou.  



VIRALIZOU NEGATIVAMENTE

A princípio, os porta-máscaras de Luddy viralizaram negativamente, por causa de um vídeo no qual ele explica o que é o novo produto e, sem querer, em certo momento, os chama apenas de máscaras. "Chegou na Arábia Saudita em menos de seis dias", contou. Ele chegou a receber ataques e mensagens de ódio nas redes sociais. Apesar do caso, a produção continua e ele está contente com o trabalho que está fazendo.

"A máscara resgata a auto-estima da pessoa. Uma pediatra, por exemplo, ela vai se sentir melhor e a criança vê o brilho, o mundo fica um pouco mais lúdico". Ele promete que a indumentária não impede a respiração e são fáceis de higienizar. Os pedidos podem ser feitos no Instagram oficial de Luddy.

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