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Homem que agrediu mulher em sorveteria diz que foi atacado antes

Homem agrediu verbalmente dona de sorveteria que pediu a ele para usar a máscara de forma correta; mulher diz que fez B.O. e entrará na Justiça

| ACidadeON Campinas

O vendedor Rodrigo Ferronato deu entrevista à EPTV Campinas (Foto: Reprodução/EPTV Campinas) 

O vendedor Rodrigo Ferronato, filmado agredindo verbalmente a dona de uma sorveteria no Jardim Flamboyant, em Campinas, ao se recusar a usar a máscara de proteção contra a covid-19, disse que foi agredido antes fisicamente pela mulher. Ele afirmou ainda que poderia não ter tido a reação exagerada e "engolido a raiva".

O caso ocorreu no sábado (12) mas veio à tona nesta terça-feira (15) após vídeos do momento feitos por outros clientes da sorveteria serem divulgados (veja abaixo). A dona do estabelecimento afirmou que fez B.O. (Boletim de Ocorrência) e que processará criminalmente Ferronato.

"Acho que esse tipo de atitude minha eu poderia não ter feito. Eu deveria ter engolido a minha raiva e ter saído da sorveteria e procurado os meios legais para me defender e cobrar do jeito que deveria cobrar", disse o vendedor em entrevista à EPTV Campinas hoje.

Ele afirmou ainda que estava usando máscara cobrindo nariz e boca, mas que em determinado momento colocou no queixo para poder falar com a mulher.

"No final do vídeo, tirei a máscara porque ela não conseguia me ouvir, porque eu queria me expressar. Eu baixei a máscara e fiquei com ela no queixo. Mas estava de máscara. Quando comecei a filmar ela veio até mim e me desferiu um tapa no braço para tentar derrubar o celular, um empurrão no peito e deu um soco de mão aberta na barriga", afirmou ele. As acusações são negadas pela proprietária da sorveteria.

Vale lembrar que em Campinas há um decreto que obriga o uso de máscaras em estabelecimentos comerciais, além de vias públicas. Caso clientes e funcionários não utilizem o equipamento de proteção o estabelecimento é multado e corre até o risco de ser fechado pela Prefeitura.  

Vídeo mostra cliente quebrando objetos da loja e ofendendo proprietária (Foto: Reprodução de vídeo)
A PROPRIETÁRIA

A proprietária da sorveteria também concedeu entrevista à EPTV, mas de forma anônima. Ela falou que tem feito restrição de acesso aos clientes na loja e seguido as recomendações de higiene contra o novo coronavírus.

"Por volta das 16h ele entrou na loja. A gente está fazendo restrição de acesso do cliente, então a gente atende uma família por vez. Ele entrou, fez a escolha dos produtos dele e quando se aproximou do caixa pedi para ele fazer o uso correto da máscara. Ele se recusou, eu insisti, pedi pra ele mais uma vez. Eu então me recusei a finalizar a venda e ele acabou não levando esse produto. Ele ficou já nessa situação bastante alterado", disse a dona da sorveteria

As câmeras de segurança registraram a confusão, mas a proprietária do estabelecimento foi orientada pelos advogados a não divulgar as imagens. No vídeo, o cliente é visto filmando o local antes de fazer as ofensas e também coloca o telefone no ouvido dizendo que vai chamar a polícia.

No momento do caso, a promotora de eventos Juliana Paiola estava no local. Ela afirmou sempre ter sido bem atendida no local. "Além de tudo, de não respeitar as normas da casa para usar a máscara, (ele) ofendeu com palavras de baixo calão (a proprietária). Foi horrível", disse  



NAS REDES SOCIAIS

Na noite de hoje, após ter saído das redes sociais, Ferronato se posicionou novamente sobre o caso e disse que não merece ser agredido desta forma e que está sofrendo ameaças de mortes. Segundo ele, "por causa de uma discussão onde ambas as partes estavam erradas".

Ele também escreveu que é um "cidadão de bem" e que "nunca faria mau (sic) a ninguém". "Agora vão querer me crucificar?", disse. O vendedor também afirmou que, por orientação de advogados, não iria dar mais detalhes do ocorreu, mas que ele não tem culpa do que aconteceu.

OUTRO CASO

Ainda no ano passado, Rodrigo Ferronato foi condenado pela Justiça Federal de Jaú por ameaça e denunciação caluniosa contra uma médica perita do INSS. Segundo o processo, a pena aplicada a ele foi de prestação de serviços comunitários e pagamento de cestas básicas a entidades sociais, mas ele entrou com recurso.

A reportagem entrou em contato com o vendedor novamente para que ele se posicionasse sobre este caso, mas não conseguiu contato.

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