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Estudo da Unicamp sugere que isolamento severo não atrapalhou a economia

Estudo avaliou 104 municípios do Estado, com base em índices de arrecadação do ICMS e dados de empregos formais do Caged

| ACidadeON Campinas

Movimento em frente a Catedral Metropolitana de Campinas. (Foto: Karen Fontes/Código19)

Um estudo realizado em parceria entre a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e a Universidade do Texas, nos EUA, indica que o isolamento social de forma mais severa, adotado pela maioria das cidades do Estado em virtude da pandemia de covid-19, não piorou o desempenho econômico. 

Os resultados apontam também que a eficácia do isolamento social na contenção da pandemia é maior quando a política é articulada regionalmente, e não apenas em nível municipal.  

Para tanto, a pesquisa avaliou os impactos econômicos agregados no município, verificando que alguns setores tendem a ser mais afetados que outros. Os resultados partiram da análise de indicadores econômicos, de isolamento social e de saúde. 

"Nós encontramos evidências de que ao relaxar o isolamento social há um aumento substancial do número de casos e do ponto de vista econômico não muda muita coisa, porque a dinâmica econômica acaba sendo afetada pela dinâmica regional", explica o professor do IE (Instituto de Economia) da Unicamp e coordenador do projeto de pesquisa, Alexandre Gori Maia.  

METODOLOGIA
 
Foram observados dados de 104 municípios de São Paulo, nos quais se concentraram cerca de 91% dos casos da covid-19 entre março e junho de 2020. Os índices de isolamento social foram obtidos da Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados).  

Já os indicadores econômicos levados em consideração foram a arrecadação municipal do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e os dados de empregos formais do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).  

"Os indicadores mostram que, quanto maior o isolamento, menor o número de casos e de mortes. Por outro lado, quando relacionamos o que aconteceria com o município em termos econômicos se ele não tivesse intensificado o isolamento, observamos que não haveria mudanças significativas", continua Maia. 

Isso não quer dizer que não houve um grande impacto econômico causado pela pandemia, frisa Alexandre, mas que não está atrelado exclusivamente ao isolamento social.  

Dessa forma, segundo o professor, o isolamento acaba sendo a melhor estratégia enquanto não há uma intervenção farmacológica, como a vacina, para parte significativa da população. 

AÇÕES COORDENADAS REGIONALMENTE
 
Outro resultado do estudo indica que a eficácia do isolamento no controle da pandemia é melhor quando há ações regionais, e não focadas apenas no município. Dessa forma, medidas de controle da covid-19 não devem se restringir às fronteiras municipais.
 
"Fica até um alerta, de que essas políticas precisam ser coordenadas regionalmente. Ao tomar decisão local, no município, o impacto é muito menor", avalia Alexandre. 

Maia aponta que ações descoordenadas entre nível estadual e federal a respeito do distanciamento social também são evidenciadas como limitadoras no controle da epidemia no país.  

O estudo indica ainda que as políticas de controle da pandemia precisam levar em conta desigualdades socioeconômicas, já que as populações mais pobres em geral têm maior risco de infecção.  

"Uma hipótese é que é muito mais difícil manter regras de distanciamento em locais mais vulneráveis, então nesse caso a melhor estratégia parece ser o fique em casa", observa Maia. 

A pesquisa integra projeto que conta com financiamento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e do Ministério da Saúde. Além de Maia, fazem parte do estudo os pesquisadores Letícia Marteleto (Universidade do Texas), Cristina Guimarães (FIPE/USP) e Luiz Gustavo Fernandes Sereno (Unicamp). (Com informações de Liana Coll/Portal da Unicamp)


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