cotidiano

Especial coronavirus

Com sobrecarga, Unicamp abre mais 18 leitos de enfermaria

Outros 10 de UTI estão sendo remanejados e devem ser abertos na semana que vem

| ACidadeON Campinas -

Anuncio foi feito nesta manhã e contou com a presença do reitor da Unicamp (Foto: Giuliano Tamura/EPTV)
A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) anunciou na manhã de hoje (12) a abertura de mais 18 leitos de enfermaria e remanejamento de 10 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para serem disponibilizados para atendimento de covid-19 no HC (Hospital de Clínicas).

O anúncio foi feito em meio à lotação total da UTI, que hoje tem os 30 leitos disponíveis já ocupados. Na enfermaria, havia apenas três leitos disponíveis na manhã de hoje. Segundo a universidade, a expectativa é que, ao todo, 54 leitos sejam abertos para suprir a demanda, sendo 18 agora e outros 36 nas próximas semanas. 

Essa abertura, por enquanto, será custeada pela própria universidade, que fez um apelo ao governo estadual para o aporte de recursos (leia mais abaixo).

"Estamos fazendo um esforço especial para abrir mais leitos. Neste momento estamos abrindo 18 leitos de enfermaria, e com perspectiva de ter no total 54 leitos a mais para enfermaria covid", disse o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel. 

Segundo ele, outros 10 leitos de UTI também serão remanejados tanto no HC, como também no Hospital Estadual Sumaré e no Hospital Regional de Piracicaba. 

"Está sendo negociado recurso para esses dez leitos nos hospitais, mas nesses leitos de enfermaria estamos discutindo a necessidade de recebermos recursos para que esses leitos possam ser realmente mantidos. Esse recurso ainda não veio. Então estamos fazendo um esforço importante sabendo desse momento tão crítico", ressaltou. 

FALTA DE PROFISSIONAL 

Segundo o superintendente do HC, Antônio Gonçalves de Oliveira Filho, a abertura dos demais leitos depende agora da contratação de pessoal. 

"A programação de abertura de 36 mais leitos é conforme for chegando mais equipe, enfermeiros, médicos. Nós fizemos uma mobilização, médicos do HC se prontificaram a atuar nas enfermarias, e estamos contratando enfermagem e fisioterapia. Então, conforme forem chegando abriremos esses 36 leitos", pontuou, indicando que está em processo a contratação de quatro médicos e cerca de 40 profissionais de enfermagem e fisioterapia- para estes últimos, outros 30 também serão remanejados.

Segundo Antônio, os 10 leitos de UTI serão remanejados por conta da suspensão de cirurgias eletivas. Nesta semana o HC anunciou a suspensão total dos atendimentos, que deve valer até segunda-feira. Já as cirurgias eletivas estão suspensas até dia 26 (sexta-feira que vem) e podem ser prorrogadas por um período ainda maior.

"Com o controle do atendimento ambulatorial e suspensão de cirurgias eletivas temos a possibilidade de transformar 10 leitos de UTI geral, usados para cirurgia, para covid-19. Isso acreditamos que já (pode ser feito) na semana que vem", indicou. 

PRESSÃO 

Segundo o superintendente do HC, a medida administrativa foi necessária por conta do grave momento enfrentado. 

"A universidade está participando desse enfrentamento da pior pandemia que já tivemos. Está pior do que no ano passado. É a mesma pandemia, mas a situação está muito mais grave. Hoje estamos com 75 pacientes internados entre UTI e enfermaria com síndrome gripal, que necessitam de internação, alguns muito grave", disse ele.

"A escalada no número de casos aqui no HC, assim como na região tem sido bastante íngreme. Estamos vendo número de pacientes cada dia maior. São pacientes que chegam em prontos socorros, casos graves que chegam com covid ou síndromes gripais", pontuou. 

CUSTO 

Segundo o superintendente, o custo de leitos de UTI tem um valor médio de R$ 2,5 mil por dia. Já o paciente na enfermaria custa de R$ 1,2 mil por dia. Porém, a tabela do SUS paga somente R$ 300. Neste ano, o governo estadual fez um convênio de R$ 11,8 milhões para custeio de seis meses para os 30 leitos. 

"Esse dinheiro já está sendo usado. Mas agora, como vai ter novo aumento, estamos negociando novo aporte de recursos. São leitos muito caros. O paciente com covid exige tratamento bastante rigoroso, trabalhoso, com muita medicação. Isso eleva o custo, eventualmente até mais de 2,5 mil por dia", disse. 

A Secretaria de Saúde do Estado foi procurada pela reportagem para confirmar se haverá ou não auxilio dos custos de leitos, mas ainda não houve resposta. 


Publicidade