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Vacinas

Mesmo com reação forte, é preciso tomar 2ª dose da AstraZeneca

Segundo especialista, chances de adoecimento pela covid-19 é muito maior do que por reação da vacina

| ACidadeON Campinas

Infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, Raquel Stucchi. (Foto: Reprodução EPTV)

Dor de cabeça, febre e fadiga. São reações adversas comuns que a vacina de Oxford/AstraZeneca pode provocar e que, de acordo com a infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia Raquel Stucchi, talvez expliquem o fato de que muitas pessoas estejam resistentes a receber a segunda dose do imunizante.
 
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Até o dia 27 de maio, 3.603 moradores de Campinas não tinham retornado aos centros de vacinação da cidade para receber a segunda dose da vacina contra a covid-19, conforme dados emitidos pela Secretaria Municipal de Saúde.

"Pode ser que a pessoa tenha adoecido, pode ser a dificuldade da família em levar a pessoa para receber a segunda dose e, talvez, uma insegurança relacionada às notícias de possíveis reações adversas. Os possíveis efeitos estão sendo muito noticiados, mas sem o destaque em alertar que essas reações são muito raras e que as chances de a gente adoecer pela doença é muito maior do que por reação da vacina".

DEVO MESMO TOMAR A SEGUNDA DOSE?

De acordo com Raquel, o receio de reações adversas não deve impedir que as pessoas completem o ciclo de imunização, visto que apenas uma dose não garante proteção considerada segura.

"A proteção que a gente considera adequada é só depois de 15 dias da segunda dose. A primeira dose dá uma proteção boa, mas mesmo com a primeira dose e mesmo com a segunda, enquanto nós não tivermos de 75% a 80% da população vacinada no Brasil, devemos manter os cuidados como uso de máscara e distanciamento social".

REAÇÕES COMUNS E MEDICAMENTOS

De acordo com Raquel, as reações ocasionadas pela vacina AstraZeneca já previstas na bula são respostas produzidas pelo organismo e que, portanto, são consideradas reações comuns. Os efeitos podem aparecer até dois dias após a aplicação da vacina.

Estudos clínicos de fase três do imunizante apontaram que mais de 60% dos voluntários relataram ter tido sensibilidade no local da injeção, 50% disseram ter sentido dor no local da injeção, dor de cabeça e fadiga, 40% tiveram dor no corpo e mal-estar, 30% relataram ter tido febre e calafrios, e 20% tiveram dor nas articulações e náusea.

Outro efeito colateral considerado raro - é o inchaço das glândulas na axila ou no pescoço, no mesmo lado do braço onde foi aplicada a vacina. Caso o vacinado manifeste o sintoma, é comum que ele dure cerca de 10 dias, mas, se persistir, a recomendação é procurar um médico.

"Os efeitos mais comuns são dor no local da aplicação, que pode ficar vermelho e quente também, e a conduta para isso é compressa fria, inclusive compressa com gelo várias vezes ao dia enquanto esses sintomas permanecerem. Outro efeito comum é febre, que pode ser maior que 38°, e pode aparecer de 6 a 8 horas depois da aplicação da vacina, com duração de 48 horas. Para a febre e dor no corpo, é recomendado o antitérmico", explica a infectologista.

Para aliviar os sintomas, o vacinado também pode optar por dipirona e paracetamol. No entanto, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) alertou para os riscos do uso indiscriminado de paracetamol para os efeitos colaterais da vacina de Oxford.

Segundo a agência, o uso do medicamento deve ser feito com cautela, sempre observando a dose máxima diária e o intervalo entre as doses, conforme as recomendações contidas na bula, para cada faixa etária.

Já remédios como aspirina, diclofenaco ou ibuprofeno, que atuam como anti-inflamatórios, não são recomendados.

A VACINA CAUSA TROMBOSE?

Segundo Raquel, as chances de uma pessoa vacinada com a AstraZeneca desenvolver trombose são extremamente raras e os riscos de incidências são menores do que uma pessoa fumante ou que faz uso de anticoncepcional.

"O risco de trombose associada à vacina da Astrazeneca é de 4 para cada 1 milhão de doses aplicadas, que é um risco menor, por exemplo, em comparação a covid, que é de 200 mil casos por milhão. O risco também é muito menor do que aqueles fumam ou usam anticoncepcional".

De acordo com dados preliminares, obtidos por um levantamento feito por cientistas do Canadá, os riscos são de fato raros, e variam de 1 caso a cada 26,5 mil doses aplicadas a 1 caso a cada 148,2 mil doses aplicadas.

GRÁVIDAS

Em maio o Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina da AstraZeneca/Oxford para gestantes, por recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A suspensão temporária foi recomendada após a morte de uma mulher que estava grávida de 35 semanas.

De acordo com as autoridades da saúde, ela teve uma trombose e não resistiu. A mulher, que não teve a identidade revelada, havia recebido a primeira dose do imunizante. O caso foi relatado na cidade do Rio de Janeiro e a morte confirmada pelas autoridades de saúde, no dia 10 de maio.

O caso ainda está sendo investigado pelo Ministério da Saúde para saber se realmente há relação a aplicação da vacina e a morte da gestante. Em Campinas, as mulheres grávidas são imunizadas com a Coronavac e com a vacina da Pfizer.
O Ministério da Saúde divulgou a orientação para as gestantes e puérperas que tomaram uma dose da vacina contra a covid-19 da Oxford/AstraZeneca. Elas deverão aguardar até o fim do puerpério para tomar a segunda dose.

CONSCIENTIZAR E EDUCAR

Para alcançar as pessoas que não retornaram para receber a segunda dose, Raquel acredita que é necessário empenho do governo e da mídia, em educar e conscientizar a população.

"O poder público deve, primeiro, insistir em campanhas em todas as mídias, alertando e orientando as pessoas de que é a proteção é conseguida apenas com a segunda dose, e que é importante recebê-la ainda que a dose esteja atrasada. Além desse comunicado constante na mídia, é necessário que haja uma busca ativa dos postos de saúde para localizar essas pessoas e orientá-las sobre a importância de receber a segunda dose".


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