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Elo entre Unicamp e empresas de tecnologia cria modelo para reforçar a Saúde

Participação de Campinas no combate à covid-19 inclui uso do HC para testes de vacina chinesa e pesquisas do Sirius

| ACidadeON Campinas

Pesquisadores em laboratório na Unicamp. (Foto: Divulgação/Unicamp)

Uma força-tarefa contra a covid-19 põe a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) na vanguarda de um modelo de ação que une a pesquisa universitária a empresas de tecnologia, para prevenir crises na saúde. Com essa parceria, a instituição já consegue evitar a dependência do mercado externo e atender demandas médicas com insumos 100% nacionais. Também alcançou uma capacidade para 1,5 mil testes por dia para o coronavírus.  

Ao mesmo tempo, Campinas também figura na rota principal de combate à pandemia ao participar dos testes que o Instituto Butantan fará de uma vacina chinesa contra a covid. O HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp é um dos 12 pontos de testagem, restrita a profissionais de saúde e que se iniciarão neste dia 20 de julho em todo o país, segundo o governo do Estado. Outro ponto de destaque da cidade nesse período foi a obtenção de imagens da estrutura do coronavírus pelo projeto federal Sirius.    

Pesquisa deve ser útil na busca por tratamentos para a covid-19. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

"Quando começamos a força-tarefa na Unicamp, era óbvia a dependência de insumos, com disputa externa por reagentes, por exemplo. Uma frente nossa se voltou para encontrar solução no mercado nacional e pela produção na própria universidade. E a gente descobriu que várias empresas de biotecnologia poderiam produzir soluções aqui", disse Marcelo Mori, coordenador da força-tarefa e professor do Instituto de Biologia.  

"A gente tem certificação e recebe também material do Instituto Butantan, mas temos capacidade para usar insumos 100% nacionais por aqui, se preciso. Serve de modelo para o país e de alerta sobre a importância de se fomentar a universidade pública e essas empresas de tecnologia, não só para suporte aqui, mas para o Brasil todo", completou Mori.  

Atualmente, a Unicamp atende a 42 municípios da região com a realização gratuita de diagnósticos para hospitais da rede SUS (Sistema Único de Saúde). Também está confirmada a realização de testes para um posto do Exército em Campinas e de funcionários da Alfândega, no Aeroporto Internacional de Viracopos. Já foram dezenas de milhares de testes feitos nesta pandemia.  

Uma outra ação ocorreu em parceria com a Prefeitura de Sumaré, em que houve coleta para testes em uma região periférica. A iniciativa deve se repetir em outros municípios.   
 
Essa matéria faz parte do hotsite "Viva Campinas" que o ACidade ON produziu em comemoração os 246 anos da cidade que acontece nesta terça-feira, dia 14 de julho. Clique aqui e confira todas as matérias produzidas para a data!

Atualmente, a Unicamp investe prioritariamente em pesquisas. Entre elas está um estudo sobre a relação de altos níveis de glicose em diabéticos e quadros inflamatórios graves da covid, liderado pelo professor Pedro Vieira. A partir desse artigo científico, se estudará o controle de níveis glicêmicos visando prevenir a contaminação nessas pessoas. Já a parte de desenvolvimento da vacina, que terá voluntários no HC de Campinas, fica centralizada no Butantan.  

Mobilização
 
A proporção atingida pela força-tarefa teve início, segundo Mori, quando Campinas ainda esperava por seu primeiro caso de covid. Foi providenciado na ocasião um protocolo de testagem e com ele a Unicamp conseguiu certificação junto ao Instituto Adolfo Lutz. Os investimentos necessários foram obtidos com doações do MPT (Ministério Público do Trabalho) e empresas.  

Além de reagentes, houve investimento em novos EPIs (equipamentos de proteção individual), protótipos de desinfecção e impressora 3D para peças de respiradores, por exemplo. Posteriormente, a universidade uniu-se à frente paulista liderada pelo Butantan, recebendo ainda mais materiais.  

A força-tarefa mantém um site atualizado (clique aqui) com suas ações, incluindo iniciativas sociais com grupos de risco. O site ainda disponibiliza um espaço para captação de doações, importantes para o prosseguimento dessas realizações.  

Imagens moleculares
 
Campinas é também sede do Projeto Sirius, maior acelerador de elétrons da América Latina, que desenvolve pesquisas a níveis molecular e atômico com o uso da luz síncrotron. No último dia 11 de julho, o programa divulgou as primeiras imagens de detalhes da estrutura do coronavírus, produzidas em 3D. Foram radiografadas proteínas do novo vírus, ação importante para entender a composição dele. Pesquisadores de todo mundo que estudam detalhes moleculares relacionados à doença poderão submeter, a partir de agora, propostas de pesquisa ao projeto para usar essa linha de luz.  

O programa federal é um imenso laboratório, localizado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), e envolve técnicos de engenharia, físicos, matemáticos e biólogos. As pesquisas no local são feitas nas áreas de saúde, combustíveis, materiais, energia, química, física e em diversos experimentos.
 
Sirius  

Projetado e construído por brasileiros, o Sirius é uma das fontes de luz síncrotron mais avançadas do mundo. Este grande equipamento científico possui em seu núcleo um acelerador de elétrons de última geração, que gera um tipo de luz capaz de revelar a microestrutura de materiais orgânicos e inorgânicos. Essas análises são realizadas em estações de pesquisa, chamadas linhas de luz. O Sirius irá comportar diversas linhas de luz, otimizadas para experimentos diversos, e que funcionarão de forma independente entre si, permitindo que diversos grupos de pesquisadores trabalhem simultaneamente, em diferentes pesquisas nas mais diversas áreas, como saúde, energia, novos materiais, meio ambiente, dentre outras. Sirius é financiado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações.

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