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Primavera prepara resgate histórico e mira a elite antes de seu centenário

Representante de Indaiatuba no futebol profissional projeta avanços enquanto salda dívidas; empresa segue na gestão do elenco em 2021

| Especial para ACidade ON -

Time de 1977, campeão da quarta divisão do Campeonato Paulista. (Foto: Arquivo/Primavera)

Tradicional representante de Indaiatuba no futebol profissional, o Esporte Clube Primavera busca resgatar sua história perante o torcedor e equilibrar suas contas, na expectativa de presentear a cidade com o acesso à Série A1 do Campeonato Paulista em alguns anos. A meta, segundo o presidente Eliseu Aparecido Marques Silva, é que o clube esteja na elite até 2027, quando completará seu centenário.

Para 2021, o clube manterá a parceria com a empresa do ex-meia Deco, com passagens por Barcelona e Chelsea, e do empresário Nenê Zini. Segundo Silva, a empresa é responsável pelos custos e gerenciamento do futebol profissional, e pelas categorias sub-15, sub-17 e sub-20. Já a gestão do clube se dedica a saldar dívidas, prevendo, em três anos, evoluir para uma co-gestão no futebol. Atualmente, o clube gerencia apenas o sub-11, sub-13 e o time feminino.

"A expectativa é boa, mas com pés no chão, pois se mantém a situação de pandemia, e para encontrar patrocínio será complicado. Precisamos resgatar o clube de uma situação de falta de credibilidade, de dívidas de outras gestões. Já liquidamos R$ 1,8 milhão de dívidas trabalhistas, agora há um planejamento para negociar R$ 3 milhões em dívidas civis nos próximos dois anos", revela o presidente.  
 
Essa matéria faz parte do hotsite "Viva Indaiatuba" que o ACidade ON produziu em comemoração os 190 anos da cidade que acontece na quarta-feira, dia 9 de dezembro. Clique aqui e confira todas as matérias produzidas para a data!

O Primavera retornou há dois anos à Série A3, e mira como primeiro degrau o acesso à A2. Silva afirma que o clube busca apoio de empresas locais, que poderão ganhar visibilidade com o clube, e está de portas abertas para quem quiser se inteirar sobre o projeto. "Também estamos fazendo um levantamento de arquivos, catalogando dados, para resgatar a história e mostrar a importância do clube ao torcedor."

Esse trabalho de resgate tem como peça fundamental o torcedor Roberto Barce, 56 anos, historiador do clube. Barce espera reviver, em breve, momentos de protagonismo da equipe, como em 1982, quando no torneio equivalente à Série A2, o Primavera foi campeão de seu grupo no primeiro turno e por pouco não chegou à elite. Nas oitavas de final, foram três empates contra o Mogi Mirim, em estádio neutro, o Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas. Na última partida, dos 7,1 mil presentes, Barce acredita que 60%, ou 4,2 mil torcedores, eram de Indaiatuba.
 

Vista aérea do Estádio Ítalo Limongi, casa do Primavera de Indaiatuba. (Foto: Sandro Rodrigues/EC Primavera)

"O jogo estava empatado em 2 a 2, o Primavera vinha como um rolo compressor, e a iluminação apagou. O que ficamos sabendo é que um diretor do Mogi teria apagado. Depois de 30 minutos o jogo voltou, mas com o Primavera sem o mesmo ânimo", disse. Ele se recorda que o regulamento não previa pênaltis, mas desempate pelo número de pontos somados em toda competição. O adversário passou pela diferença de um ponto.

Barce avalia que é preciso avançar, para não perder torcedores. "O que a torcida não aguenta mais é um time ioiô, que sobe e desce." Hoje, segundo ele, além da esperança da volta a uma série A2, participações importantes da base, como na Taça São Paulo de Futebol Júnior, mantêm viva a paixão dos torcedores. Como historiador, ele espera lançar um produto digital completo com arquivos do clube.

Em sua trajetória, o Primavera revelou atletas como Alex (ex-Inter RS e Corinthians), Corrêa (ex-Palmeiras) e o goleiro Laércio Milani (que atuou no Santos de Pelé). Foram 1078 jogos oficiais, e quatro títulos (quarta divisão paulista em 1977, 95 e 2018 e quinta divisão em 2001). Seu maior artilheiro foi Django, que marcou pela equipe 33 gols em jogos oficiais e 29 em amistosos entre 1982/83. Um clube cujo mascote não deixa dúvidas de que pode ser "o terror dos adversários": é, desde os anos 1940, o Fantasma da Ituana, devido às boas atuações no torneio que reunia times da "região ituana", entre eles Ituano e Capivariano.

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