Aguarde...

ACidadeON Campinas

docon

Estado quer colocar policiais com formação abreviada nas ruas

Secretário de Segurança disse que pretende antecipar preparação de novos oficiais "no que for possível" para reduzir déficit mais rapidamente

| ACidadeON Campinas

Especialistas discordam em reduzir tempo de formação de PMs (Foto: Divulgação) 

Apesar da autorização do governo João Doria (PSDB) para a abertura de concurso público para contratar de 250 delegados de polícia, 900 investigadores, 1.600 escrivães e 189 médicos legais, os problemas na área de Segurança Pública paulista devem continuar nos próximos anos.

O número de novas contratações ainda está muito abaixo do déficit do Estado, mas o que preocupa as entidades que representam os policiais é uma recente afirmação do secretário de Segurança Pública do Estado, general João Camilo Pires, de Campinas, durante uma audiência na Assembleia Legislativa. Ele disse aos parlamentares que esses profissionais terão uma "formação abreviada".

General Camilo mencionou durante uma reunião na Alesp que faltam no Estado 11.680 policiais militares, outros 8.548 na Polícia Civil, 700 delegados e 1.396 médicos legistas. Ele reconheceu problemas graves no Estado, como o aumento no número de feminicídios e disse que tentará amenizar o problema com novas contratações.

"O que está acontecendo? Concursos, editais. Vamos ter que continuar fazendo a formação que eu não gostaria, a formação abreviada, para colocá-los o quanto antes trabalhando. Abreviada naquilo que é possível", disse.

Questionada pelo ACidade ON sobre o tipo de formação que esses policiais receberão, a Secretaria de Segurança Pública informou que os agentes contam com diversos cursos. O inicial possui duração de quatro meses e, depois disso, passam por formação complementar na Academia de Polícia. A secretaria, no entanto, não explicou como seria a formação abreviada mencionada pelo secretário.  



PREOCUPAÇÃO

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Região de Campinas, Aparecido Lima de Carvalho, afirmou que uma formação "abreviada" de policiais civis só caberia para profissionais em funções burocráticas.

Ele considera que a formação para delegados, investigadores e escrivães já é insuficiente hoje. "A formação já está muito aquém do que deveria ser. São funções que qualquer erro pode causar um dano irreparável. Diante disso, o Estado precisa capacitar novos profissionais da melhor forma possível", falou.

Carvalho afirmou que hoje só a cidade de Campinas tem um déficit de pelo menos 220 profissionais na Polícia Civil. "Esse é o número mínimo de policiais e delegados que falta para podermos trabalhar em condições dignas. Chegamos a ter 200 coletes a prova de balas vencidos em Campinas. Faz dois anos que não recebemos munição e estamos sem novas viaturas desde 2016. O (governador) Doria precisa priorizar essa área com urgência". No total, a cidade tem hoje 622 policiais.

Ainda de acordo com o presidente do sindicato, até agora Doria não cumpriu suas promessas de campanha a policiais. "Entendemos que ele pegou uma situação econômica difícil em São Paulo. Mas ele fez muito pouco até agora. Esperamos que até o ano que vem ele faça mais, tanto na área da estrutura, quanto da capacitação da Polícia Civil".

Já o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar em Campinas, Claudinei Costa, também acredita que a formação do policial não pode ser acelerada. "Hoje temos a formação de um ano, com mais dois anos de estágio probatório. Acredito que isso é o mínimo que se pode exigir para o policial ir às ruas." 


Comentários

"O site não se responsabiliza pela opinião dos autores. Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do ACidade ON. Serão vetados os comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. ACidade ON poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios deste aviso."

Facebook

Mais do ACidade ON