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Câmara pode ter 1ª CP contra vereador de sua história

Alvo é Tenente Santini (PSD), que disse que há "máfias" no Legislativo e até parlamentares ligados a facções e a quadrilhas de roubo de carga

| Especial para ACidade ON

Os vereadores Jorge Schneider e Tenente Santini (Fotos: Divulgação) 

Quando você acha que já viu de um tudo na Câmara de Campinas, os vereadores surpreendem. Numa ação nunca antes vista na história do Parlamento, os legisladores devem analisar um pedido de Comissão Processante. Calma! Não se trata de outra investigação contra o prefeito Jonas Donizette (PSB), até mesmo porque, contra o prefeito, esse tipo de pedido já virou até rotina. Dessa vez o alvo é o vereador Tenente Santini. Aquele que é do PSD, mas que praticamente repete tudo o que o clã Bolsonaro faz no âmbito nacional. Santini entrou no alvo de seus colegas porque resolveu soltar a língua na tribuna. Disse que existem parlamentares que surrupiam o salário de seus assessores e outros que indicam membros do PCC para trabalhar na Prefeitura. Vixe! O pessoal ficou bravo. Pediu provas. Só faltou pedir VAR. Mas e todas essas denúncias, são verdade? Isso é o que os vereadores querem saber. Se o que disse Santini procede. Querem investigar. Ir mais a fundo.

HISTÓRICO

O problema é que a curiosidade matou o gato. Já tivemos casos de vereadores condenados no passado por pagar e depois passar a sacola para recolher os salários de seus assessores (nenhum deles, no entanto, passou por uma CP). Também já tivemos casos de funcionário da Prefeitura preso e que prometeu cargo para um dos líderes do PCC em Campinas. Então, os assuntos não são, vamos dizer assim, uma novidade na política campineira. O que agora o povo quer saber é se alguém da Câmara, dos 33 que estão em pleno exercício de seus mandatos, está praticando algo do tipo. Porque foi o que sugeriu o tenente.

AQUI, NÃO!

Inicialmente o pessoal queria resolver tudo lá na Corregedoria - que, diga-se de passagem, nunca resolveu muita coisa na Câmara mesmo. Então, Marcos Bernardelli (PSDB), o presidente, foi consultar seu robusto corpo jurídico e chegou à conclusão de que só caberia uma Comissão Processante. Jorge Schneider (PTB), o denunciante, levantou a mão e disse: eu vou! É ele quem deve protocolar o pedido de CP.

MOTIVAÇÕES

Convenhamos que Santini não fez muitos amigos desde que chegou à Câmara. Ao contrário, coleciona desafetos. Já botou a mão na cintura, num sinal de que teria armas, enfrenta a base e o governo e não faz questão nenhuma de manter uma convivência pacífica com seus colegas. É fogo no parquinho. O próximo capítulo da nova série da Câmara deve ir ao ar nesta segunda-feira (24), quando Schneider apresenta o pedido de CP que será analisado em plenário. Resta saber: Santini vai ou não para o paredão?

TRÂMITE

Nesta segunda, se Schneider levar mesmo seu plano a cabo, o pedido de CP será lido em plenário e entrará em votação. O autor do pedido não vota - seu suplente, Thiago Ferrari (PTB), assume. Se os parlamentares mantiverem o apoio que deram para a denúncia feita por Schneider à Corregedoria (que teve 20 assinaturas), a CP deve ser aprovada. Em seguida, faz-se o sorteio dos três integrantes da comissão - um presidente, um relator e um membro. Santini, o investigado, evidentemente, não pode participar. A comissão então notifica o investigado e, a partir daí, inicia-se o prazo do processo, que dura 90 dias. Um relatório é produzido indicando a cassação ou absolvição do parlamentar, e é levado para votação em plenário.

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