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Campineiro deve usar R$ 500 do FGTS para pagar dívidas

Tentação de gastar o dinheiro é grande, mas especialistas orientam trabalhadores a acabar com pendências financeiras

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Área central de Campinas. Foto: Código 19

Pagar dívidas. É isso o que a maioria dos trabalhadores de Campinas deve fazer com o saque de R$ 500 do FGTS, autorizado pelo governo federal a partir de setembro.

A cidade tem uma média de R$ 1.150 de saldo devedor por família, segundo a Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic). Apesar de não cobrir todo o rombo, o valor pode ser usado para negociar e diminuir os juros, de acordo com especialistas em finanças pessoais.

Carlos Amadi é planejador financeiro e explicou que o saque deve ser utilizado de forma prudente, de acordo com o perfil de cada trabalhador. Se o segurado do FGTS deve para bancos ou cartões de crédito, não precisa pensar duas vezes.

"É claro que o trabalhador que tem dívidas deve usar esse dinheiro para pagá-las, começando por aquelas que têm as taxas de juros mais elevadas, como cartão de crédito ou instituições financeiras. Esse dinheiro deve ser usado também como uma ferramenta de negociação", disse Amadi.

RESERVA DE EMERGÊNCIA

Para quem não tem dívidas, mas ainda não conseguiu fazer uma reserva de emergência, os R$ 500 podem ser um bom começo, segundo o planejador. O FGTS funciona hoje como uma reserva compulsória do trabalhador, que pode ser usada em casos de enfermidades, demissão sem justa causa ou para dar a entrada na compra de um imóvel.

No entanto, os valores depositados na Caixa rendem menos que a poupança e abaixo até da inflação. Por isso, Amadi recomenda investimentos mais rentáveis e com liquidez imediata.

"O Tesouro Selic seria uma melhor opção hoje do que deixar no FGTS, apesar de estar rendendo menos do que há alguns anos. Mas ainda rende mais que a poupança. E a liquidez dele é imediata".

O especialista alerta, porém, que os gastadores devem pensar bem antes de fazer o saque. "Quem tem propensão ao consumo e acha que não vai conseguir guardar os R$ 500, recomendo que nem saque. Pois esse valor perde a função principal, que é sustentar a pessoa no caso de uma emergência."  

 



DÍVIDAS

Campinas tem mais de 45% das famílias endividadas, de acordo com a Acic, e mais de 40% dos devedores têm problemas no pagamento das parcelas. Por isso, para muitos, o saque veio a calhar.

"Eu vou limpar o meu nome com os R$ 500. Estar com o nome no Serasa atrapalha muito a minha vida, inclusive para conseguir emprego", disse a auxiliar administrativa Silvania Oliveira, que está desempregada.

O estudante Vitor Gabriel Almeida, de 19 anos, vai usar o valor para pagar o seu curso superior. "Apesar de não ser muito, vai ajudar a pagar parcelas da minha faculdade", contou.

A promotora de eventos Jéssica Ragassi de Freitas, de 24 anos, disse que, além de pagar contas, deve guardar o que sobrar do seu saque. "O final do ano está chegando, vou guardar o que sobrar para fazer as compras de Natal".

REGRAS

O governo anunciou na semana passada mudanças nas regras do FGTS, incluindo duas possibilidades de saque do fundo:

Saque imediato: em 2019/2020, o trabalhador poderá sacar até R$ 500 por conta do FGTS, ativa (do emprego atual) ou inativa (de empregos antigos). Nesta modalidade, o empregador ainda garante o direito de sacar o valor restante quando for demitido. O saque é opcional e, se ele não sacar, o valor continua na conta. Trabalhadores com conta poupança na Caixa receberão automaticamente o dinheiro.

Saque aniversário: a partir de 2020, terá a opção de sacar uma parte do FGTS todos os anos (em troca, perde o direito de sacar todo o dinheiro do fundo se for demitido). O saque também é opcional e quem quiser essa modalidade deverá informar à Caixa a partir de outubro deste ano.

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