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Especial Névio Archibald

Névio: armas no ambiente Legislativo entram em pauta

Casos recentes na Câmara de Campinas, Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados trouxeram tema à tona

| Especial para ACidade ON

Deputado Delegado Waldir (PSL) mostra coldre vazio após ser acusado de portar arma no plenário (Foto: Reprodução) 

Recentes acontecimentos na Câmara de Campinas, na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados relacionadas ao uso de armas suscitaram discussões no meio político. Em Campinas, o vereador Tenente Santini (PSD) usuou a tribuna para falar que tem sofrido ameaças, mas que essas pessoas deveriam temê-lo e fez sinal de que teria uma arma em cada lado da cintura. Na Alesp, o deputado Danilo Balas (PSL) resolveu ir ao plenário armado, o que também gerou discussões e até um um projeto para que os deputados sejam proibidos de entrar no local com armas.

Na última terça (9), uma confusão suspendeu a sessão da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara em que deveria ser lido o parecer do relator da reforma da Previdência. O deputado Delegado Waldir (PSL-GO), líder do partido de Jair Bolsonaro na Casa, foi acusado pelo deputado Eduardo Bismarck (PDT-CE) de estar armado em plenário. Após a confusão, Waldir mostrou a jornalistas o coldre vazio. No entanto, Bismarck acusa o líder do PSL de ter passado a arma para outra pessoa no meio do tumulto.

SEGURANÇA?

Em São Paulo, os deputados estaduais querem mudar o Regimento Interno e proibir o porte de armas dentro do plenário. A polêmica começou quando o parlamentar Danilo Balas (PSL), em meio a uma discussão acalorada, foi visto com seu revólver durante a sessão. Balas justifica que é constantemente ameaçado e defende a ampliação da segurança no Palácio 9 de Julho. Já seus colegas garantem que o ambiente é seguro e que a violência pode vir de quem está com o revólver.

A deputada Mônica da Bancada Ativista (PSOL) já apresentou um projeto de resolução para proibir o porte dentro do plenário. O acesso ao local é controlado por policiais militares. Na Alesp não existe controle de acesso ao prédio. Qualquer cidadão entra sem que tenha que apresentar documentos ou dizer em qual gabinete pretende ir. No plenário, PMs organizam a entrada. A falta de controle é constantemente criticada pelos parlamentares, especialmente pelos novatos.

POLÍCIA LEGISLATIVA

Em Campinas é a Guarda Municipal quem faz a segurança do prédio, especialmente em dias de sessão. O efetivo é ampliado toda vez que pautas polêmicas ou manifestações são marcadas na Casa. Depois das manifestações em 2013, o Legislativo ampliou a segurança. Foram instalados detectores de metal, o acesso é controlado com apresentação de documento, com um limite de participantes e uma barreira entre os vereadores e a plateia também foi instalada no local.

O presidente da Câmara, Marcos Bernardelli (PSDB), voltou a defender a criação da Guarda Legislativa. O discurso é praticamente o mesmo do ex-presidente Rafa Zimbaldi (PP), que também tentou emplacar a proposta: o de que a GM deve fazer patrulhamentos na cidade sem ter que se deslocar para a Câmara toda vez que é preciso reforçar a segurança.

SANTINI

No episódio recente de menção ao uso de armas, o protagonista, Tenente Santini (PSD), usou a tribuna para falar que integrantes do governo estavam fazendo ameaças. "Quero avisar a essas pessoas que eu tenho dois amigos: um aqui e outro aqui (apontando para os dois lados da cintura, em referência a armas). Essas pessoas pensam que estão me acuando, mas quem corre risco são elas. Quem tem mais a perder são elas, e não eu", afirmou. A Câmara descartou investigar o parlamentar na Corregedoria e Santini negou que tivesse feito ameaças.

BANG BANG

A preocupação dos parlamentares diante de colegas que empunham armas ou fazem referência à elas se justifica. A história do Brasil mostra que discussões políticas acaloradas tendem a virar tragédia no ambiente político e, principalmente, no espaço dedicado ao debate.

Um dos casos ocorreu em 1963. Naquele ano, o senador Arnon de Mello (PDC-AL), pai do atual senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL), matou o senador José Kairala (PSD-AC) no plenário. O tiro, na realidade, era contra Silvestre Péricles (PTB-AL), mas o disparo acabou acertando o então comerciante que ocupava uma suplência. A briga ocorreu por divergências políticas.

Quem andava armado era Péricles, que prometeu matar Arnon. Para se precaver das ameaças, Collor resolveu também garantir o seu revólver. Em meio a uma discussão, os dois sacaram suas armas. O tiro de Arnon acabou acertando Kairala, que tentava apartar a briga. Os dois chegaram a ser presos, mas foram soltos e absolvidos.

Outro episódio de tiroteio entre políticos ocorreu em 1967, mas na Câmara dos Deputados.
Um discussão pela presidência da União Interparlamentar entre Nelson Carneiro (MDB-RJ) e Estácio Souto Maior (MDB-PE) terminou em tiros. Souto Maior foi atingido, sacou sua arma e fez disparos contra Nelson, que conseguiu se proteger. Os dois também foram absolvidos.

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