"O Homem do Norte" narra uma odisseia nórdica e mística

O ator Alexander Skarsgård embarca em uma jornada épica e cheia de percalços neste drama de aventura

| ACidadeON Campinas -

Alexander Skarsgård em 'O Homem do Norte' (2022) (Foto: Divulgação)
O ator Alexander Skarsgård embarca em uma jornada épica e cheia de percalços no drama de aventura 'O Homem do Norte'. Conhecido por sua fotografia escura e sua paixão pelo horror, o diretor Robert Eggers dá uma suavizada nas cenas fortes neste novo projeto ao apresentar a saga violenta e vingativa do príncipe Amleth, mas seu estilo sanguinário segue presente na narrativa.
 
Oscar Novak como jovem Amleth em O Homem do Norte (2022) (Foto: Divulgação)
A trama tem início na infância de Amleth, interpretado pelo jovem Oscar Novak. Ansioso pela chegada do pai, o menino leva uma vida de riqueza em meados dos anos 900 D.C. e segue sendo cuidado pela mãe carinhosa. Entretanto, sua vida de paz e amor tem fim quando seu tio Fjölnir lidera um ataque e mata o rei em sua frente.

Tomado pelo medo e pelo ódio, o jovem Amleth faz uma promessa a si mesmo enquanto foge do terror causado pelo tio: ele vingará seu pai, salvará a sua mãe que foi sequestrada pelo tio e matará Fjölnir. Sendo divido em capítulos, 'O Homem do Norte' dá um salto e apresenta o príncipe em sua vida adulta.
 
Cena do longa-metragem O Homem do Norte (2022) (Foto: Divulgação)
Sob um pseudônimo, ele integra um grupo de guerreiros sanguinários que devastam aldeias e matam seus habitantes. Durante um ataque, Amleth encontra uma bruxa que o lembra de sua promessa, feita há muitos anos. Encorajado pelo desejo de recuperar o que era seu, o herdeiro nórdico parte para a Islândia para saciar a sua sede por sangue, mas o resultado de sua jornada pode não ser como esperado.

Inspirado em lendas e crônicas nórdicas, que falavam de um príncipe que retorna ao seu reino e o vê governado por um tirano, 'O Homem do Norte' possui detalhes conhecidos de outros longas-metragens do gênero, como 'Conan: O Bárbaro'. Além disso, a narrativa pode até ser reconhecida de um clássico da literatura inglesa, a peça 'Hamlet', de William Shakespeare.
 
Alexander Skarsgård e Anya Taylor-Joy em O Homem do Norte (2022) (Foto: Divulgação)
Apesar das referências, Robert Eggers e Sjón entrega um roteiro envolvente e uma saga digna de líderes da mitologia. Com um ritmo lento e desenvolvido com bastante precisão, 'O Homem do Norte' segue o padrão do cineasta de apresentar fotografias belíssimas e encantadoras. Em um clima frio e cheio de neve, Eggers mostra as maravilhas da Irlanda e da Islândia em planos amplos de montanhas e campos abertos.

Além das paisagens impressionantes, o longa-metragem cativa o espectador com performances impecáveis. Repetindo figurinhas de outros projetos, Eggers retoma a parceria com os atores Willem Dafoe e Anya Taylor-Joy. Na pele de um feiticeiro, Dafoe surge em poucas cenas do filme. Entretanto, sua atuação, como sempre, é marcante.
 
Anya Taylor-Joy em O Homem do Norte (2022) (Foto: Divulgação)
Já no caso de Anya, sua personagem possui um papel de protagonismo em determinado ponto da trama, o que a atriz encara com destreza. Com altos e baixos, Taylor-Joy auxilia Alexander Skarsgård em momentos de maior comoção, dando uma impressão de mentoria, já que o ator não possui tanta experiência quanto ela com o gênero em questão.

Com um papel de extrema relevância, Claes Bang é consistente em sua perfomance de tirano. Entretanto, seu brilho é completamente roubado por uma aparição grandiosa de Nicole Kidman. Sob a persona da Rainha Gudrún, Kidman mescla instantes de emoção extrema, loucura e desespero com maestria.
 
Nicole Kidman como Rainha Gudrún em O Homem do Norte (2022) (Foto: Divulgação)
Abordando por um lado mais técnico, 'O Homem do Norte' inova ao ser filmado apenas por uma câmera, algo incomum em produções de ação. Apesar da novidade parecer irrelevante ao espectador no princípio do longa-metragem, a extravagância do diretor começa a ser um problema em alguns takes, principalmente àqueles em que há mais de dois atores em cena.

Embora o lançamento de Robert Eggers traga à tona narrativas já realizadas no cinema norte-americano, 'O Homem do Norte' possui um quê de especial quando o assunto são sagas nórdicas. As paisagens e as performances de um elenco mais do que talentoso auxiliam no desenvolvimento um tanto parado e lento do roteiro, fazendo com que a produção se torne um épico interessante e muito relevante aos amantes de ação com um toque de violência justificada.