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Cotidiano

Acelerador Sirius pode definir futuro da ciência brasileira

Utilizada no pré-sal, ferramenta permite compreender como os átomos de um corpo se comportam fisicamente

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O UVX, primeira e única fonte de Luz Síncrotron da América Latina, é administrado pelo CNPEM, em Campinas (Foto: Divulgação) 

O Sirius, a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil e uma das primeiras fontes de luz síncrotron de 4ª geração do planeta, promete colocar o Brasil entre os líderes mundiais da produção desta luz - visto que a estrutura é projetada para ter o maior brilho entre todos os equipamentos da mesma classe de energia.  

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Administrado pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o superlaboratório ocupa uma área de 68 mil m² em Campinas e já consumiu mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos. Em desenvolvimento desde 2003, a previsão é que o Sirius seja inaugurado para uso até o final de 2018, mas o CNPEM já é responsável pelo Anel de Armazenamento UVX, a primeira e única Fonte de Luz Síncrotron da América Latina, inaugurada em 1997.

Mas o que vem a ser uma luz síncrotron e para que serve o Sirius? "Em poucas palavras, o Sirius é um gigantesco microscópio que pode emitir luz raio-x", explica Antônio José Roque, diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS).

De maneira mais técnica, a luz síncrotron é um tipo de radiação eletromagnética que se estende por uma faixa ampla do espectro eletromagnético, como luz infravermelha, ultravioleta e raios X. Ela é formada quando elétrons carregados são acelerados a uma velocidade proxima à velocidade da luz. Eles percorrem os 500 metros do acelerador 600 mil vezes por segundo.  



USOS

A luz síncrotron pode ser utilizada, por exemplo, na extração do pré-sal. "A primeira extração do petróleo, com a perfuração de um poço, retira apenas de 30% a 40%", explica José Roque. O restante do petróleo fica aprisionada dentro das rochas "e para extrair isso de maneira eficiente, é preciso entender a interação entre as moléculas do petróleo com os átomos que compõem a rocha, e isso pode ser feito com a luz síncrotron emitida pelo Sirius".

Mas a utilização do gigantesco do laboratório não foca apenas em seu uso para o petróleo. "Ele pode ser usado para entender a estrutura do solo, por exemplo, para que nutrientes e fertilizantes sejam distribuídos e utilizados de maneira mais eficiente", explica José Roque. Além disso, a estrutura de uma planta poderia ser utilizada para a produção de remédios, por exemplo.

"O impacto do Sirius para o país vai muito além do seu uso", diz José Roque. "Acredito que se trata da ferramenta mais versátil da ciência, que pode ser utilizada por qualquer área", conclui.  

SÉRIE

Inspirado pela reformulação de seu projeto gráfico, o ACidade ON iniciou na segunda-feira (25) a publicação da série "Inovar é Preciso", que destaca projetos ligados à inovação. No total serão cinco reportagens, publicadas até a próxima sexta-feira (29).

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