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Como a conexão intestino-cérebro pode afetar nossa saúde e o dia a dia?

Emoções como raiva, tristeza, euforia podem afetar o trato gastrointestinal

| ACidadeON Campinas -



Werther Busato. (Foto: Divulgação)
Sabia que a nossa conexão intestino-cérebro pode estar ligada a ansiedade e problemas estomacais e vice-versa? Essas informações foram divulgadas em um artigo publicado recentemente na Harvard Medical School.

O trato gastrointestinal é sensível à emoção. Raiva, ansiedade, tristeza, euforia todos esses sentimentos e muitos outros podem desencadear sintomas no intestino.

O cérebro tem um efeito direto sobre o estômago e o intestino. Para se ter ideia o próprio pensamento de comer pode liberar os sucos do estômago antes que a comida chegue lá. Essa conexão vai nos dois sentidos. Um intestino com problemas pode enviar sinais para o cérebro, assim como um cérebro com problemas pode enviar sinais para o intestino. Portanto, o desconforto estomacal ou intestinal de uma pessoa pode ser a causa ou o produto da ansiedade, estresse ou depressão. Isso porque o cérebro e o sistema gastrointestinal (GI) estão intimamente conectados.

Isso pode ser confirmado em pessoas que experimentam episódios de distúrbios gastrointestinais sem causa física óbvia. Para esses casos funcionais é difícil tentar curar um intestino aflito sem considerar o papel do estresse e da emoção.

Dado o quão próximo o intestino e o cérebro interagem, fica mais fácil entender casos de náuseas antes de fazer uma apresentação ou dor intestinal durante momentos de estresse. Isso não significa, no entanto, que as condições gastrointestinais funcionais sejam fruto da imaginação.

O estresse, depressão ou outros fatores psicológicos podem afetar o movimento e as contrações do trato gastrointestinal. Além disso, muitas pessoas com distúrbios gastrointestinais funcionais percebem a dor de forma mais aguda do que outras pessoas, porque seus cérebros são mais responsivos aos sinais de dor nessa região do corpo. O estresse pode fazer a dor existente parecer ainda pior.

Vários estudos descobriram que as abordagens com base psicológica levam a uma melhora maior nos sintomas digestivos em comparação com apenas o tratamento médico convencional.

Outras pessoas que apresentam sintomas leves podem se beneficiar com pequenas mudanças na dieta, protocolos de modulação intestinal ou nos medicamentos.

Muitas vezes, pessoas com sintomas moderados a graves, particularmente aqueles cujos sintomas surgem de circunstâncias estressantes, podem se beneficiar de terapias dirigidas à mente, como terapia cognitivo-comportamental e técnicas de relaxamento.

Algumas pessoas relutam em aceitar o papel dos fatores psicossociais em sua doença. Mas é importante saber que as emoções causam reações químicas e físicas genuínas no corpo que podem resultar em dor e desconforto. A terapia comportamental e os tratamentos de redução do estresse ajudam a controlar a dor e melhorar outros sintomas de maneiras diferentes de como as drogas agem.

Tente observar se após períodos de estresse ou emoções intensas afetam seu estomago ou seu intestino.

Werther Busato: médico clínico geral com especialização em Medicina Preventiva, Nutrologia e Medicina do Sono e certificação profissional em Programas de Qualidade de Vida. Na carreira corporativa possui vasta experiência na gestão de promoção e prevenção de saúde individual e coletiva em grandes empresas.

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