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Pesquisa: só 10% dos brasileiros se prepara para a morte

Tema é considerado tabu para a maioria dos entrevistados; até a duração dos funerais vem caindo

| ACidadeON Campinas

Cemitério da Saudade, em Campinas (Foto: Denny Cesare/Código 19) 

Uma pesquisa realizada pelo Sincep (Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil) revela que só 10% dos brasileiros se prepara de alguma forma para a hora da morte - pela aquisição de planos funerários, por exemplo.

O restante - 90% - não manifestam nenhuma preocupação com os preparativos de velório e enterro ou até se preocupam, mas não o suficiente para tomar alguma atitude em relação ao assunto. Há ainda as pessoas que não se preocupam, mas que acham que deveriam.

"O tema ainda é um tabu muito grande. Há uma negação. As pessoas acham que podem evitar a morte simplesmente por não pensar sobre isso", diz Gisela Adissi, presidente do Sincep.

A pesquisa também identifica que a maioria dos brasileiros associa a morte a sentimentos negativos, como dor e tristeza. Por isto elas evitam o assunto: 73% dos entrevistados disseram tratar a morte como um tabu.

O estudo mostra ainda que as pessoas passam cada vez menos tempo em velórios e enterros. As cerimônias de despedidas, que antes eram feitas por até 24 horas, ficaram no passado. Hoje a média do ritual é de 6h32 minutos.

"As pessoas só pensam na morte na hora em que ela acontece. Quando uma pessoa morre, é preciso tomar 70 decisões diferentes. Se há um preparo anterior, esse número cai para 45", afirma Gisela.

Segundo ela, essas decisões variam de decidir quem vai pagar pelo caixão e pelo funeral, por exemplo, ou quem vai ser responsável por tirar a certidão de óbito. "Um bom plano funeral antecipa tudo isso, e deixa para a última hora apenas decisões emocionais", diz Gisela.  



MERCADO

Apesar de todo o tabu, o "mercado da morte" é lucrativo. O mercado funerário (cemitérios e crematórios) movimenta R$ 7 bilhões por ano. Considerando produtos como flores e velas, entre outro, o valor chega a R$ 15 bilhões por ano.

Há aproximadamente 5,5 mil funerárias e pelo menos mil cemitérios privados no Brasil. O setor emprega de forma direta cerca de 50 mil pessoas no país.

"O mercado se diversificou. Hoje já há cemitérios que têm psicólogos e profissionais de hotelaria, por exemplo", diz Gisela.  



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