Aguarde...

cotidiano

Regina Duarte: de mocinha simples de Campinas a foco de polêmica

Atriz que teve turbulenta e rápida passagem pelo governo Bolsonaro viveu em Campinas dos 6 aos 18 anos de idade

| ACidadeON Campinas

Reportagem do Correio Popular de 1974 que mostra Regina Duarte como Rapunzel (Foto: Reprodução)

Regina Duarte já era bastante famosa quando aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro para assumir a Secretaria Especial de Cultura. Até sair do cargo pouco mais de dois meses depois, na última quarta-feira (20), seu nome ficou ainda mais conhecido - mas, dessa vez, por motivos não muito lisonjeiros.

Os 77 dias em que ficou no cargo foram marcados pela bajulação ao chefe, ausência de ações para a classe artística e uma entrevista desastrosa à CNN Brasil em que relativizou mortes e a tortura no período da Ditadura Militar.

Regina deixou a Secretaria para assumir a diretoria da Cinemateca de São Paulo - oficialmente, ela diz que estava sentindo falta da família, mas as informações de bastidor dão conta de que Bolsonaro não estava contente com sua atuação na Secretaria.

MOCINHA SIMPLES

Diretora do Conservatório Carlos Gomes e uma das primeiras mentoras de Regina, Léa Ziggiatti Monteiro, de 84 anos, diz que sua ex-aluna nunca demonstrou vocação para a polêmica. "Ela era uma mocinha bem simples, muito talentosa. Na época foi reconhecida porque era muito humilde, não tinha nada dessas coisas que ela está fazendo agora", diz Léa.

Foi ela que dirigiu e adaptou algumas das primeiras peças de Regina no início da década de 60, no TEC (Teatro do Estudante de Campinas), movimento que surgiu dentro do então Instituto Educacional Carlos Gomes - e que viria a se tornar o conservatório, na ativa até hoje.

Regina estreou com papéis secundários em peças sacras até viver a compadecida na obra-prima de Ariano Suassuna, "O Auto da Compadecida", já no TEC, entre 1960 e 1961. Depois, interpretou Maria, mãe de Jesus, em "Natal na Praça" - na história, o nascimento de Jesus é interpretado por um grupo de ciganos que integram um grupo de teatro mambembe.

Depois, Regina viveu interpretou papéis em duas montagens dirigidas por Léa Monteiro - "Rapunzel" e "Gifredo, Anjinho das Reformas" - esta última uma peça infantil também escrita por Léa. Regina viveu a anja Serafinzinha, que ajudou Gifredo a derrotar o doutor Diabão e a Dona Mentira e, assim, restabelecer a alegria na Terra.  

"A Regina foi uma grande revelação. Ali todo mundo já sabia que ela seria uma grande atriz", conta Léa. Em 1964, Regina gravou seu primeiro comercial, uma empresa de sorvetes. No ano seguinte, quando ainda morava em Campinas, estreou na TV Excelsior, atuando na telenovela "A Deusa Vencida".

Foi justamente em 1965 que Regina deixou Campinas para viver em São Paulo. Aqui, foi uma das ilustres alunas do Colégio Culto à Ciência. Em 2017, a atriz voltou a Capinas para comemorar seus 70 anos de vida em uma festa para a família no resort Royal Palm Plaza.  

DECEPÇÃO

Hoje, depois de tanto sucesso, Léa Ziggiatti diz que a passagem de Regina pelo governo Bolsonaro não deve ser motivo de vergonha para a atriz. "O erro dela foi ter aceito esse convite. Ela é artista, não é da política. Ela foi infeliz nas posições que ela tomou porque o governo do Bolsonaro é infeliz", afirma.

Decepção mesmo Léa sente em relação ao atual presidente. "Eu votei nele, né? Agora, não sei o que ele está fazendo. Está brincando com a história. Quando se refere a cultura, fala em 'teatrinho', 'peçazinha'. Isso é uma coisa muito triste. Está retroagindo em vez de ir para a frente. Precisava fechar a boquinha", avalia.


Mais notícias



Mais notícias do ACidade ON