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Após desaceleração, Campinas tem aumento de 31% em mortes

Análise de observatório confirma o aumento de casos e vítimas na última semana; motivo pode ter sido o feriado

| ACidadeON Campinas -

Campinas voltou a registrar aumento em casos e mortes por covid-19 (Foto: Karen Fontes/Codigo 19)

Após quatro semanas de queda no registro de mortes por covid-19, Campinas registrou um aumento de 31,2% em relação às vítimas fatais. A análise, divulgada em nota técnica do Observatório PUC-Campinas, aponta um avanço da doença após semanas de desaceleração.

Segundo os pesquisadores, na última semana, de 13 a 19 de setembro foram registradas 63 novas mortes na cidade. Em comparação, na semana de 5 a 12 de setembro foram registrados 48 óbitos pela doença, sendo que desde 15 de agosto os números estavam em queda.

Em relação aos novos casos, a cidade teve também um aumento de 22,6%, com 1.003 infectados, mostrando novamente a subida na curva epidemiológica.

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Na última semana, o secretário de Saúde de Campinas chegou a fazer um alerta sobre o aumento das contaminações no feriado, que resultaram no crescimento da taxa de transmissão (contágio), no registro de internações e atendimento em hospitais (leia mais aqui).

Na região, tanto o número de mortes como de casos também mostraram aumento. Em relação aos novos casos, com a RMC (Região Metropolitana de Campinas) registrou 2,8 mil novos casos, com aumento de 3,37%. Já o DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas teve aumento de 5,4% - com 4 mil novos casos confirmados.

Já em relação as mortes, o DRS teve aumento de 21,1% com 149 novas vítimas, sendo que 120 eram da RMC, que registrou crescimento de 29% em comparação ao período anterior.    

Veja os números no gráfico abaixo:   

Gráfico mostra aumento de casos e mortes após semanas de queda (Fonte: Observatório PUC-Campinas)


Com os números, o DRS-Campinas, composto por 42 municípios, encerrou a 38ª Semana com o total de 99,4 mil casos e 3,1 mil mortes, ficando atrás somente da Grande São Paulo no Estado. A RMC chegou a 73 mil casos e 2,3 mil óbitos. Campinas, epicentro da pandemia na região, teve 30,2 mil casos de covid-19 até 19 de setembro, deixando 1.182 vítimas fatais. Hoje (23), o DRS já bateu os 100 mil casos, e Campinas chegou a 1.196 mortes.

DESRESPEITO NO FERIADO

Assim como o secretário de Saúde, o infectologista da PUC-Campinas, André Giglio Bueno, atribui o novo aumento dos casos e mortes sobretudo ao relaxamento nas medidas de proteção nas últimas semanas, principalmente as observadas no feriado de 7 de setembro.  

"Passadas duas semanas do último feriado nacional, em que a falta de cuidado com as medidas básicas de proteção foi escancarada em imagens de bares e praias lotadas corrobora com essa hipótese. Além das aglomerações em áreas públicas, tem sido observado também um aumento das reuniões familiares e de amigos. Essa situação, embora superficial para apontar tendências, nos coloca num patamar de preocupação superior ao das últimas semanas", apontou.  

Segundo Bueno, o aumento da flexibilização deveria vir seguido de cuidados aumentados pela população, para evitar que a doença volte a se propagar.  

"Na medida em que a flexibilização aumenta, a responsabilidade individual para seguir todas as recomendações também cresce. Se a adesão às práticas de prevenção diminui, a probabilidade de alta nos casos fica mais evidente", declarou o professor da Faculdade de Medicina.  

Segundo o economista Paulo Oliveira, que conduz as notas técnicas relativas à covid-19 no Observatório, o novo aumento das contaminações compromete a sustentabilidade das reaberturas, que só se sustentam com a eficiência dos protocolos para a contenção da crise sanitária.  

"Além disso, a recuperação econômica, infelizmente, vai depender de fatores além da permissão para o funcionamento das atividades", afirma o professor.



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