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"Avanço de fase não é fim da quarentena em Campinas", diz secretário de Saúde

Carmino de Souza explicou que a fase verde não significa fim da quarentena, mostrou preocupação sobre o avanço e rebateu comentários sobre as eleições

| ACidadeON Campinas

 

Movimentação no Centro de Campinas durante a pandemia (Foto: Denny Cesare/Código19)


O anúncio do governo estadual ontem sobre a possibilidade da região de Campinas avançar à fase verde do Plano São Paulo de flexibilização da quarentena de combate ao coronavírus, já na próxima semana, fez com que o secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza, pedisse cautela à população.  

Em entrevista para o ACidade ON na manhã desta quarta-feira (30), ele afirmou que existe uma preocupação de que essa mudança impacte de forma negativa nos números da doença na cidade. Ele também comentou sobre os números atuais da pandemia: Campinas tem hoje 33.117 casos da doença com 1.233 óbitos. Cármino também rebateu comentários sobre a flexibilização da quarentena e as eleições deste ano. 
 
MUDANÇA PEQUENA

Apesar da grande expectativa, a fase verde não traz mudanças radicais como é imaginado pela maior parte da população. Segundo o secretário, ela não significa a volta ao dia a dia normal de antes da pandemia. 

"A fase verde é muito parecida com a fase amarela, que é mais flexibilizada. Ela amplia um pouco o horário, mas não deve mudar muita coisa. A preocupação é mesmo em relação às pessoas interpretarem como 'liberou geral' porque não é o caso. Vamos continuar com recomendações, restrições e regras", disse o secretário. 

De acordo com Carmino, tantos os números do DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas, como os dados da própria cidade isolada já trazem indicadores que possibilitariam o avanço caso a reclassificação ocorresse hoje. A próxima classificação de fases, que agora é feita mensalmente, está prevista para a sexta-feira, dia 9 de outubro. 

"Estou bastante confortável na fase amarela. A minha preocupação é que se esse avanço acontecer, ele seja interpretado como o fim da quarentena. E isso é o pior dos erros. Assistimos no mundo inteiro que não dá para abaixar a guarda, mas a sociedade parece que paga para ver. A hora que a coisa evolui mal, não temos alternativa a não ser cuidar das pessoas", declarou o secretário.  

A definição para o avanço de fase depende de números de toda a região do DRS, que abrange ao todo 41 cidades, entre elas cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas), além de outras regiões mais distantes, como Jundiaí e Bragança Paulista.  

Até o momento, nem mesmo a região da Capital, que está há mais tempo na fase amarela,  desde o início de julho, avançou para a fase verde. No entanto, segundo Carmino, a região hoje está dentro dos critérios que permitem o avanço. 

"Nós podemos ir para a fase verde, tantos nos números do DRS como nos números de Campinas. Eu acho que se mantivermos os cuidados, a fase verde vai ter pouquíssima interferência, porque ela é natural, está prevista e não temos porque não ir já que o que estava previsto nos critérios foi alcançado", afirmou.  

SEM MUDANÇAS RADICAIS 

Diferente do que se imagina, a fase verde não traz grandes mudanças, e não significa a volta ao normal, de antes da pandemia. Entre as evoluções, estão o aumento da capacidade de ocupação dos comércios para 60% (hoje é de 40%), e a permissão do funcionamento em horário normal, sem restringir em oito horas diárias como é atualmente. Restaurantes e bares ainda continuam proibidos de funcionar após as 22h. Veja todas as regras da fase abaixo. 

"É POR CAUSA DA ELEIÇÃO" 

Questionado sobre os possíveis avanços e diminuições de casos declarados pela Prefeitura, o secretário rebateu os comentários de que os números teriam caído "por causa da eleição", que sugere que dados da pandemia são agora ocultados pela Administração durante o momento de campanha. 

"Isso não tem nada a ver com eleições. Isso tem a ver com números, e números são o que eles são. A única interferência que a eleição pode causar nisso, que exatamente é o que nos preocupa, é o aumento dos casos por causa do contingente de candidatos em campanha, reunidos, e que temos que evitar aglomerações", afirmou, pedindo conscientização dos candidatos. 

"Fazemos apelo para que eles cuidem da questão sanitária, se não vamos ter que interferir, e daí quando falarem que é político, só podemos falar que nosso partido é da Saúde", declarou. 

OS CASOS DIMINUÍRAM NA CIDADE? 

Segundo o secretário, depois do aumento de casos vistos nas semanas seguidas do feriado de 7 de setembro, os números em Campinas voltaram a cair.  

"Já tivemos dias sem casos, vários dias com poucos casos, bem diferente de antes, então vemos que vem caindo realmente", declarou o secretário, que, no entanto, ressaltou que a taxa de transmissão ainda não tem índices tão positivos.  

O índice, que indica quantas pessoas conseguem transmitir a doença, já chegou a níveis críticos (1,8) na cidade. Mas hoje está abaixo de 1. A taxa em 1 representa que uma pessoa contamina outra, ou que 10 contaminariam outras 10.  

"A taxa de transmissão voltou a cair, mas sou obrigado a dizer que é um intervalo de confiança ainda estatisticamente ruim, estamos um pouco abaixo de 1, e o índice de confiança cruzando o 1 ainda preocupa, mas nós estamos evoluindo. Eu acho que vamos conviver com casos e mortes por um período grande ainda", ressaltou.  

O secretário citou o avanço como algo que já era previsto, visto que a doença ainda deve permanecer entre a população até uma solução definitiva. 

"Não consigo enxergar a resolução completa neste ano, espero que os números sejam cada vez menores, mas não vejo possibilidade que a gente faça a supressão completa enquanto não tivermos solução definitiva, espero sempre números menores, controlando a cada dia, mas essa é a tendência, e esperamos que a comunidade ajude, dependemos mais deles do que da gente mesmo", afirmou. 

Assim como a eleição, Carmino declarou preocupação no próximo ferido de 12 de outubro. "Não gostaríamos que acontecesse a mesma coisa que o feriado de independência, porque prejudica o que já foi alcançado", ressaltou. 

QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS PARA O AVANÇO? 

Entre os critérios para o avanço de fase, são consideradas a diminuição nos casos, internações e mortes em comparação de uma semana com a outra.  

O DRS precisa ainda manter por 14 dias as taxas de internação abaixo de 40 por 100 mil habitantes e a de mortes em até cinco por 100 mil habitantes.  

De acordo com os dados da Secretaria Estadual de Saúde, em relação aos dados da doença o DRS de Campinas aponta uma queda em novos casos, com a variação semanal em -29,8%. Já o número de óbitos tem variação de -12% na semana, e de internação, -8,6%.  

Os números por 100 mil habitantes foram solicitados pela secretaria Estadual de Saúde, mas não foram divulgados.
Em Campinas, a taxa de internação atual é de 14,92 internados para cada 100 mil habitantes, e de 4,75 óbitos para 100 mil habitantes. 

Durante o anúncio de ontem, o governador indicou ainda a taxa de ocupação de leitos da região. 

"O índice de ocupação de leitos de UTI para pacientes covid é de 39,5%, o mais baixo desde o início da pandemia. E esse é um índice muito importante. Temos ainda redução no número de casos e no número de mortes", avaliou. 

O QUE MUDA NA FASE VERDE?  

- Comércio, shoppings, atividades de serviço, salões e academias: Ocupação máxima passa a ser limitada a 60% da capacidade do local (hoje a restrição é de 40%). Locais não terão mais horário reduzido de 8h; 

- Bares, restaurantes e similares: Ocupação também passa a ser limitada a 60% da capacidade do local, sem horário reduzido de 8h. No entanto, consumo no local permanece permitido até as 22h; 

- Eventos, convenções e atividades culturais: Permanecem mesmas regras, com ocupação ampliada para 60%. tre as regras estão a obrigação de controle de acesso e hora marcada, venda de ingressos em bilheterias respeitando distanciamento, e filas e espaços demarcados; 

- Demais atividades que geram aglomeração ainda estão proibidas.


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