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Unicamp vai validar testes de saliva para a covid-19

Empresa japonesa vai enviar 720 kits que utilizam a tecnologia LAMP de detecção do coronavírus, um método mais rápido e barato

| ACidadeON Campinas -

Material usado para teste. (Foto: Eiken Co. Imprensa FCM Antoninho Perri/Unicamp/Divulgação)

Após parceria com universidades internacionais, a Unicamp, em Campinas, irá validar testes de saliva para a covid-19. O acordo prevê que a instituição receba e faça a validação de 720 kits de testes, produzidos pela empresa japonesa Eiken Co. O material deve chegar à universidade ainda nesse mês.

A parceria envolve a Universidade de Chiba, no Japão, a Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA) e a empresa Eiken Chemical Co.  

A validação científica será feita pelo LEMDI (Laboratório de Epidemiologia Molecular e Doenças Infecciosas) da FCM (Faculdade de Ciências Médicas), que domina a tecnologia LAMP, utilizada nesse tipo de teste, e que é um método mais rápido, mais barato e mais simples de ser realizado se comparado à coleta do swab nasal.  

No laboratório, serão feitos estudos de validação, que comprovam a capacidade dos insumos de diagnosticar a covid-19, e a aferição de seu grau de precisão.  

"Nada mais natural do que aproveitar uma tecnologia que estava sendo utilizada em nosso laboratório, todos os insumos que já temos, equipamentos, para aprimorar os testes para detecção da covid-19", disse Plínio Trabasso, pesquisador do laboratório, professor da FCM e Coordenador de Assistência do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp.  
  
Uma das características que ressaltam a qualidade dos testes RT-LAMP é que o diagnóstico pode ser feito sem a necessidade de equipamentos mais sofisticados, pois um dos aspectos das amostras em que há a presença do coronavírus é que o líquido se torna turvo, perdendo o aspecto cristalino. Plínio comenta que isso possibilita a aplicação de testes em regiões mais remotas, como em comunidades da Amazônia.
 
Vale destacar que a Unicamp também faz parte do grupo de estudo para o teste da Coronavac - a vacina é uma das grandes candidatas contra o vírus, e é desenvolvida pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Biotech. Em Campinas a Unicamp já dobrou a quantidade de voluntários testados (leia mais aqui). 
 
NOVA POSSIBILIDADE

Na Unicamp, as pesquisas do LEMDI vão atestar não apenas se os kits enviados pela Eiken Co. são clinicamente válidos, como também o grau de exatidão dos diagnósticos. Isso deverá ser feito por meio da diluição das amostras do coronavírus. Quanto mais diluída a amostra estiver e, ainda assim, puder ser detectada, maior o grau de precisão dos testes. Segundo o médico, a obtenção de resultados positivos abre uma nova possibilidade ao sistema de saúde para o controle da pandemia.  
 

Reunião entre parceiros e Unicamp. (Foto: Divulgação/Unicamp)


"À medida que você consegue validar insumos que não utilizam esse tipo de equipamento caro, o processo se torna mais barato para a população, para o SUS (Sistema Único de Saúde), para a saúde suplementar. Sempre então que é possível baratear, mas mantendo ou aumentando a qualidade, é muito melhor. Se conseguirmos validar esse exame como algo factível, possível de ser utilizado, é mais uma alternativa para concorrências públicas, licitações, amplia a oferta de exames no sistema de saúde, pode ampliar a testagem realizada", analisa Plínio.  

MAIS CONFORTÁVEL
 
Um dos aspectos que despertam a atenção nos testes RT-LAMP é a possibilidade de serem utilizadas amostras de saliva, sem a necessidade da coleta pelo swab nasal. Plínio Trabasso comenta que essa é uma vantagem por facilitar os procedimentos para as equipes de saúde e também reduzir o desconforto que alguns pacientes podem sentir com o swab nasal. O benefício vai além se consideradas as condições de saúde de alguns grupos específicos, como pacientes que passaram por transplante de medula recente.  
"Particularmente os pacientes que passaram por transplante de medula não podem coletar amostras de exames por swab nasal porque é uma técnica mais agressiva para eles. Eles ainda não têm plaquetas suficientes no organismo e podem ocorrer sangramentos. Essa (LAMP) é então uma técnica que amplia as possibilidades de testes em pacientes imunossuprimidos, que também estão sujeitos à covid-19", explica o Coordenador de Assistência do HC.  

Ele também ressalta que a agilidade com que os diagnósticos podem ser obtidos, combinado com o custo reduzido, pode ampliar a capacidade de testagem da população, o que é fundamental para a definição de medidas para o controle da pandemia.  

"Se eu tenho um exame que consegue detectar o coronavírus em um indivíduo que está em uma fase bem precoce da doença, é possível aumentar a sensibilidade da minha triagem populacional. É possível fazer diagnósticos mais precoces, inclusive em pacientes assintomáticos. Muitos países apostaram seus programas de controle da covid-19 na testagem e no isolamento de pessoas. Você aplica então o teste, tem o resultado rápido e sabe se a pessoa precisa ficar isolada ou não", detalha Plínio.
Para a Unicamp, a parceria vai ampliar as possibilidades de estudos realizados pelo LEMDI, contribuindo com a prevenção e o desenvolvimento de tratamento para outras doenças. (Com informações de Felipe Mateus/Portal da Unicamp)

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