Publicidade

cotidiano

CNPEM e Sirius firmam acordo com laboratório líder mundial em física de partículas

O acordo estabelece condições legais para colaboração em pesquisas e compartilhamento de recursos em qualquer área de interesse mútuo, em especial nas tecnologias aplicadas à física de aceleradores, ímãs e materiais supercondutores

| ACidadeON Campinas -

Laboratório Sirius é potencial alvo de bombardeios por importância na área da tecnologia (Foto: Denny Cesare/Código 19)

O CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), onde está o laboratório Sirius, em Campinas, firmou, nesta sexta-feira (4), um acordo de cooperação científica e tecnológica com a CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), um dos laboratórios líderes mundiais em física de partículas e responsável pela operação do maior colisor de partículas do planeta.  

O acordo estabelece condições legais para colaboração em pesquisas e compartilhamento de recursos em qualquer área de interesse mútuo, em especial nas tecnologias aplicadas à física de aceleradores, ímãs e materiais supercondutores.   
 
LEIA TAMBÉM 
Sirius abre estação de pesquisa contra covid-19 em Campinas 
Sirius, em Campinas, revela detalhes do coronavírus em 1º estudo


"A parceria do CNPEM com o CERN permitirá o desenvolvimento de projetos conjuntos em diversas áreas, em especial a de supercondutividade. Como todo projeto de alta tecnologia, haverá um grande envolvimento da indústria nacional que se beneficiará do projeto em áreas como no desenvolvimento e construção de criostatos, desenvolvimento e fabricação de fios supercondutores e materiais para operarem condições extremas, fabricação de bobinas, desenvolvimento de eletrônicas rápidas de potência e diagnóstico, entre outros", comenta James Citadini, Gerente de Engenharia e Tecnologia do CNPEM  

O CERN, responsável pela operação do Grande Colisor de Hádrons, o maior colisor de partículas do planeta, trabalha em estudos de viabilidade para um FCC (Futuro Colisor Circular), uma infraestrutura quatro vezes maior, com cerca de 100 quilômetros de extensão, voltada a pesquisas sobre constituintes fundamentais da matéria.  

"Por 30 anos, o Brasil tem sido um forte parceiro nas atividades científicas do CERN. A assinatura deste novo acordo aumentará nossa colaboração em pesquisa científica, treinamento, inovação e no compartilhamento de conhecimento na área de tecnologia de aceleradores. O CNPEM e o Brasil têm muitas competências e talentos comprovados nesta área e estou convencido de que isso trará muitos benefícios mútuos, além de motivar também os parceiros industriais", disse Frédérick Bordry, diretor de aceleradores e tecnologia do CERN.  

O CNPEM conquistou reconhecimento internacional ao projetar e construir o Sirius, fonte de luz síncrotron de última geração, que tem em seu núcleo um dos aceleradores de elétrons mais avançados do mundo. A estrutura do laboratório é destinada a pesquisas em áreas estratégicas como ciência dos materiais, nanotecnologia, biotecnologia, física, ciências ambientais e outras áreas.
 
"Celebrar este acordo é uma grande satisfação, pois demonstra o potencial do Sirius, como um projeto estruturante para o país. Sirius é mais do que uma máquina internacionalmente competitiva, projetada no Brasil. Sirius deixa também um legado de formação de recursos humanos altamente qualificados, capacitados para trocar informações com as melhores instituições de pesquisa do mundo, além de estimular a inovação no país", ponderou Antonio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM.  

DIFERENÇAS ENTRE O SIRIUS E O LHC, DO CERN
 
Os aceleradores de partículas Sirius, do CNPEM, e o LHC, do CERN, possuem algumas semelhanças, mas são bastante diferentes. Em ambos os tipos de aceleradores, partículas são conduzidas dentro de câmaras metálicas ao longo de uma trajetória circular, e têm seu percurso guiado por ímãs.  

Assim, alguns dos componentes que compõem esses aceleradores se assemelham, e é por isso que um acordo entre as instituições que abrigam cada uma dessas infraestruturas abre oportunidades tecnológicas para ambas. No entanto, os objetivos científicos de cada uma dessas infraestruturas são distintos.  

No LHC, feixes de prótons são acelerados em direções opostas para que se choquem entre si. Os pesquisadores detectam e analisam essas colisões para estudar a matéria em uma escala subatômica e investigar a estrutura mais fundamental do universo. Já em uma fonte de luz síncrotron como o Sirius, elétrons são acelerados em uma única direção, sem colidir uns com os outros.  

Os elétrons devem circular de maneira estável por longos períodos de tempo. Este feixe de elétrons produz um tipo de luz especial, chamado de luz síncrotron. Essa luz é então usada pelos pesquisadores para estudar diversos materiais, na escala das suas moléculas e átomos.

Mais notícias


Publicidade