Aguarde...

cotidiano

Bom Prato: usuários ignoram medidas de prevenção

Unidade de Campinas tomou medidas de prevenção, mas usuários não estão preocupados com a pandemia

| ACidadeON Campinas

Pessoas no Bom Prato em Campinas. (Foto: ACidade ON Campinas)

A tradicional fila do Bom Prato, em Campinas, não diminuiu mesmo com o risco de contaminação do coronavírus (Covid-19), gerado principalmente pelo contato físico em lugares com alta aglomeração de pessoas. O grande galpão na Avenida Moraes Salles, próximo ao Viaduto Cury, serve refeições a R$ 1,00 subsidiadas pelo governo estadual e é frequentado principalmente por idosos - um dos grupos mais vulneráveis à doença. Mas muitos duvidam do poder de contágio do vírus e ignoram as medidas de prevenção.  

Na última terça-feira (17) a organização do serviço reduziu pela metade sua capacidade de público, de 200 para 100 pessoas por vez, seguindo recomendações do governo do Estado de São Paulo.

A equipe do ACidade ON foi até a unidade para acompanhar o fluxo de pessoas e registrou que poucos dos usuários estão, de fato, fazendo uso das medidas básicas disponibilizadas no local. Mesmo após as medidas de restrição imposta pela Prefeitura para tentar combater a proliferação do vírus na cidade que já registrou três casos confirmados e investiga outros 127 casos suspeitos.

Todos os funcionários estavam usando máscaras descartáveis. Na entrada, os usuários obrigatoriamente passavam pela higienização das mãos com água e sabonete, mas ao fim da refeição, quase ninguém fez uso de álcool gel para retornar ao cotidiano nas ruas da cidade.   
 
LEIA TAMBÉM 
Confira aqui a cobertura completa sobre o coronavírus em Campinas
Shoppings de Campinas fecham para o público nesta quinta
No Centro, trabalhadores redobram cuidados para evitar coronavírus


"COISA DE RICO" 

Entrevistados pela reportagem consideram a prevenção contra o coronavírus segundo plano e poucos ali têm a possibilidade de trabalhar de casa. Para a maioria, a refeição do Bom Prato é a principal do dia. "O movimento deve ter caído um pouquinho, mas eu tô de boa. Isso é doença de rico, né? Só quem está viajando que está trazendo para cá", afirmou Jean Carlos Barbosa Macedo, 47 anos, atualmente desempregado.  

A mesma opinião foi dada pela pensionista Maria das Graças Ramos, de 67 anos. Para ela, a população menos favorecida está "pagando as consequências" por ações de outras pessoas. "[O coronavírus] é doença de rico, que vem trazida pelo navio, pelo avião".  

PREVENÇÃO
 
Além de pertencer ao grupo da 3ª idade, Maria das Graças também desenvolveu sinusite ao longo da vida, trabalhando como faxineira, e enquadra-se duplamente no grupo de risco mais elevado para contração da doença. As medidas que ela toma como prevenção são as mesmas que já realizava cotidianamente, antes do surto da covid-19. "Quando a gente está lavando roupa, já lava as mãos, mas isso faz parte da vida", brinca a pensionista.  

Higienizar as mãos com água e sabonete é também a única medida que o advogado Ricardo Luiz Peçanha, de 54 anos, toma para se prevenir. Na opinião dele, o Brasil não verá um surto tão grande como o da Itália, por exemplo. "Estou achando isso uma grande histeria, mas se chegar no nível dos outros países, o SUS [Sistema Único de Saúde] não aguenta. Aqui eles dividiram as cadeiras, separaram para não aglomerar muito, mas a fila continua enorme lá fora", aponta.  

CAPACIDADE REDUZIDA  

A unidade do Bom Prato em Campinas deve servir no máximo 1,8 mil refeições por dia durante o período de prevenção, contra cerca de 2,2 mil refeições que eram servidas anteriormente, segundo o gerente voluntário da unidade, Reuber Luiz Boschini. Além disso, o espaçamento entre as cadeiras foi ampliado para garantir um espaço seguro de contato físico entre os consumidores.  

"Nós estamos controlando o fluxo na entrada e pedindo para todo mundo colaborar e se alimentar um pouquinho mais rápido para que o outro possa almoçar. Estendemos o horário das 10h às 15h", explica Reuber.  

Em Campinas, 60% do Bom Prato é formado por idosos, e fechar a unidade seria inviável. "Isso deixaria estas pessoas mais vulneráveis. Tem o risco da contaminação, é claro, mas também tem risco de falta de alimentação, que deixaria estas pessoas sem resistência. Ficamos divididos", pontua o gerente.  

A Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado informou em nota que está intensificando, junto aos funcionários do Bom Prato, as orientações de higiene pessoal para a prevenção do Covid-19, "a fim de garantir que os usuários façam prática das ações de proteção". A pasta informou ainda que todas as unidades já seguem medidas de higienização e cuidados de higiene pessoal que estão de acordo com a vigilância sanitária.

Mais do ACidade ON