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Unicamp cria dispositivo que apita quando distanciamento social não é respeitado

Pesquisadores da Unicamp, em parceria com o Instituto de Pesquisas Eldorado, desenvolveram um dispositivo eletrônico que apita quando a distância segura recomendada para evitar a transmissão

| ACidadeON Campinas

Dispositivo apita quando pessoas se aproximam. (Foto: Reprodução de vídeo)

Pesquisadores da FEEC (Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação) da Unicamp, em parceria com o Instituto de Pesquisas Eldorado, desenvolveram um dispositivo eletrônico que apita quando a distância segura recomendada para evitar a transmissão do novo coronavírus é ultrapassada.  

Com a retomada das atividades presenciais, a ideia é que o aparelho seja usado no ambiente de trabalho, a fim de evitar a propagação do vírus entre funcionários. Além de denunciar a proximidade, ele ainda mostra com quem e em quais lugares a pessoa esteve durante o tempo em que usava o aparelho.  

O dispositivo levou cerca de cinco meses para ser desenvolvido, e foi testado durante duas semanas em um grupo de 16 colaboradores de uma empresa escolhida, para verificar a aderência à política de distanciamento social no ambiente de trabalho.  

Toda vez que a distância de 1,5 m não era respeitada, o aparelho emitia um som, junto a uma luz vermelha, que alertava para o descumprimento da recomendação. A distância é configurável, fazendo com que o empresário tenha a liberdade de distribuir os funcionários da forma que achar mais segura. 

Os dados coletados pelos pesquisadores, como tempo de interação entre colaboradores, eram apresentados ao longo do trabalho e, ao fim do teste, foi notada uma mudança no comportamento dos funcionários. Isso porque, antes do uso do aparelho, o índice de distanciamento na empresa era de 11%, e, após o período de testagem, a porcentagem subiu para 33%.  

Aparelho usado para o distanciamento social. (Foto: Divulgação)


De acordo com Eduardo Lima, gerente do Instituto Eldorado, os dados obtidos pelo experimento podem ser usados para várias outras pesquisas, principalmente para aquelas voltadas ao comportamento. "Os testes podem colaborar para se descobrir qual é o tempo que as pessoas podem ficar em contato entre elas sem que haja uma propagação da doença", ressalta. 

Ainda segundo Lima, a importância do aparelho se dá principalmente pela falta de opções de monitoramento do distanciamento disponíveis no mercado. "Eu fiz uma busca em vários artigos de comportamento humano, e não tem medidas quantitativas. Criaram as regras baseadas em estatísticas que são eficientes -, mas de certa forma elas são de bruta força", destaca. 

IMPACTOS FINANCEIROS 

Gustavo Fraidenraich, professor da FEEC, é um dos pesquisadores da Unicamp que estiveram à frente do desenvolvimento do aparelho. Segundo ressalta, além de prevenir o contágio da doença, o dispositivo também pode evitar perdas para a empresa.  

"Quando um funcionário diz que está contaminado e os outros falam que estão contaminados também porque tiveram perto, o gerente da empresa é obrigado a aceitar o afastamento de todo mundo. Isso em uma semana pode representar de R$ 100 mil a R$ 150 mil. Então um monitoramento não eficiente impacta muito na condição financeira", argumenta. 

Esse monitoramento é possível, pois o aparelho mapeia o trajeto feito por cada funcionário. Com isso, é possível ver se de fato ele esteve próximo ao colaborador infectado durante o período em que percorreu a empresa com o dispositivo.  

"Um dispositivo está sempre monitorando os outros, e eles têm uma base, o gateway, que fica na saída do laboratório. Toda vez que um funcionário passa pela saída, a informação da pessoa que está saindo é descarregada naquela base, e pode ser jogada em um banco de dados, ou pagina da web, e o empresário pode acessar isso de qualquer lugar do mundo", explica. 

Ainda na fase de teste, o dispositivo deve passar por mais algumas etapas antes de ser produzido em massa. Além do ambiente de trabalho, o aparelho poderá ser usado em escolas, igrejas e outros locais com grande concentração de pessoas.

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