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Secretário cita "limite" da Saúde em Campinas e pede ajuda ao Estado

Lair Zambon, declarou que a perspectiva da Saúde em Campinas tem sido de guerra enfrentando uma pressão na rede de saúde e a falta de recursos suficientes

| ACidadeON Campinas -

Secretário de Saúde prestou contas da situação atual hoje na Câmara (Foto: Prefeitura de Campinas)
Durante a primeira audiência pública deste ano, realizada nesta quinta-feira (25) na Câmara de Campinas, o secretário de Saúde, Lair Zambon, declarou que a perspectiva da Saúde em Campinas tem sido de "guerra" enfrentando uma pressão na rede de saúde e a falta de recursos suficientes para o enfrentamento da pandemia. 

Neste mês, a reportagem do ACidadeON mostrou que a Prefeitura de Campinas confirmou que os recursos para enfrentamento da pandemia de covid-19 estavam perto do fim, sem ainda uma previsão de mais verba para o município. Neste fim de semana, Campinas atingiu ocupação máxima em leitos de UTI, tendo que recorrer à ampliação de leitos para evitar um colapso na saúde. 

"A perspectiva é difícil, bastante difícil, estamos no limite tanto no ponto de vista financeiro como do ponto de vista de leitos de UTI", declarou ele. Ele citou ainda que, até o momento, o único recurso deste ano continua sendo o repasse de R$ 12 milhões do governo estadual, que é responsável pelo pagamento de leitos do Hospital Mário Gatti. 

"Esse é o dinheiro que existe para covid, qualquer valor acima teria que recorrer ao Tesouro", disse ele, declarando que já pediu financiamento para mais leitos de UTI. 

"Hoje eu conversei com o secretário adjunto do Estado de são Paulo. Estou pedindo financiamento para mais 15 leitos de UTI", disse Zambon, pontuando ainda que o estado paga parte do custo de leitos, e o restante é bancado pelo município.  

"A perspectiva é que tenhamos que chegar rapidamente a mais leitos para enfrentar esses próximos 15 dias" complementou. Segundo a Saúde, em média são gastos R$ 13 milhões por mês com a pandemia na cidade. De acordo com o detalhado durante a audiência, dos R$ 142,4 milhões em recursos recebidos, R$ 109,9 milhões foram usados em 2020.  

No ano todo,155 leitos de UTI e 277 de enfermaria chegaram a ser abertos na cidade somente para pacientes com covid-19. 

AMPLIAÇÕES 

Nesta semana a Prefeitura de Campinas contratou 11 leitos para o SUS municipal e o estado mais 10 no Hospital de Clínicas da Unicamp. Outros seis também foram ampliados ontem na rede privada de saúde. Mesmo assim, a ocupação registrada ontem ainda era alta - de 88,42% entre todas as redes, com 252 dos 285 leitos de UTI-Covid ocupados. 

"Estamos em uma guerra, com dificuldade em leitos de UTI, dificuldade em animar as pessoas no combate a pandemia, principalmente do setor da saúde", declarou. 

RECEIO DO AGRAVAMENTO 

Segundo o secretário de Saúde, por receio de um agravamento da pressão de saúde por outras doenças respiratórias foi feito um apelo à Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, por uma antecipação das vacinas de influenza. 

"Eu conversei com Dimas Covas, eles disseram que estão coletando novas cepas de influenza e ele tentará disponibilizar a vacina no final de março ou começo de abril. Isso no ponto de vista de gestão de caos é essencial. Se nós acumularmos as patologias respiratórias será o caos. Nesses próximos três ou quatro meses teremos que tomar medidas no sentido de tentar antever esses problemas", afirmou.

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