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Criado por moradora de Indaiatuba, app para autistas ganha o país e projeta expansão

Rede Azul lista serviços acessíveis e indicados pela comunidade autista em 19 estados; na cidade, poder público mantém atendimento multidisciplinar

| Especial para ACidade ON

Elaine Marques, CEO do Rede Azul App, com a filha Alícia. (Foto: Fernando Schroeder)

Idealizado por uma moradora de Indaiatuba, um aplicativo voltado à comunidade autista ganhou o país em pouco mais de um ano de existência e já mostra potencial para chegar a outros públicos. Lançado em 19 de dezembro de 2019, o Rede Azul tem hoje 1.500 usuários cadastrados, de 82 cidades e 19 estados. A ferramenta reúne até agora 248 serviços preparados para atender autistas, indicados de forma colaborativa, por familiares e pessoas diagnosticadas com o transtorno. São profissionais listados em 20 categorias, como terapia, estética (salões de beleza), dentista e até despachantes, todos avaliados pelos usuários.

Segundo a CEO do Rede Azul, Elaine Marques Marucci, a ideia surgiu de seu drama pessoal para obter o diagnóstico correto da filha Alícia, fechado somente aos 12 anos de idade. Com Asperger, uma síndrome do espectro autista, a jovem obteve, após a perseverança dos pais, direcionamento para desenvolver seu potencial na educação e em cursos. Atualmente com 18 anos, ela dá palestras sobre inclusão com a mãe e está empregada em um café, como barista.  
 
Essa matéria faz parte do hotsite "Viva Indaiatuba" que o ACidade ON produziu em comemoração os 190 anos da cidade que acontece na quarta-feira, dia 9 de dezembro. Clique aqui e confira todas as matérias produzidas para a data!

"A Alícia não tinha características de autista, cumpriu normalmente as fases de falar, andar, mas, na primeira série, a professora apontou que ela não retinha o conteúdo. Percebemos que ficava no mundinho dela. Começamos a buscar profissionais e foi uma sabatina enorme, neurologistas diagnosticavam uma série de transtornos, menos autismo", diz. Elaine conta que a filha tomou medicamentos que a deixaram atenta, mas apática, sem iniciativa. "Não era o que eu queria, quero minha filha feliz. Iniciamos outra busca até uma neuro nos indicar um psiquiatra, que deu o diagnóstico correto."  

O aplicativo Rede Azul, que indica serviços com ambiente acessível a autistas. (Foto: Fernando Schroeder)


A partir dessa batalha, veio a preocupação com famílias que enfrentariam a mesma situação. "E as pessoas que vão passar por tudo isso, perder dinheiro, tempo? Comecei a pensar que seria ótimo se tivesse um lugar que reunisse informações sobre médicos, escolas preparadas, cursos, indicados por quem já sabe o caminho. Na vida adulta, imobiliárias e despachantes que saibam atender, pois autistas que vão comprar carros têm direito a isenções, por exemplo."

Para viabilizar a ideia, Elaine foi atrás de informações, assistiu palestras sobre criação de aplicativos, avaliou custos e fez contatos com agências de tecnologia e de marketing digital que apostaram na causa, dando descontos. Após o crescimento acelerado, já prepara para 2021 a categoria empregos, indicando empresas que oferecem vagas a autistas, e sonha em expandir a ferramenta. "Procuro parcerias com empresas de tecnologia para levar a rede a outras comunidades (Síndrome de Down, deficientes físicos etc). A rede pode ser um grande guarda-chuva, ao invés de clicar em categorias como hoje, você poderia clicar em Down, e aí procurar os serviços."

O Rede Azul pode ser baixado gratuitamente para Android. Em breve, também estará disponível para iOS. O usuário pode entrar no app para consulta ou também ser colaborador. Para colaborar, será direcionado a fazer contato prévio via Instagram da rede. "A gente avalia, para ter segurança do envolvimento do colaborador com a causa. E qualquer serviço que incluímos precisa ser indicado por um usuário", diz Elaine.

Indaiatuba

Em Indaiatuba, serviços públicos como o Espaço Avançar, na escola municipal Profa. Elvira Maria Maffei, também ajudam a causa autista. O serviço da Prefeitura garante atendimento multidisciplinar a 250 crianças e jovens, envolvendo profissionais da educação, saúde e assistência social. Segundo a secretária de Educação Rita de Cássia Trasferetti, 150 alunos matriculados e incluídos na rede regular têm atendimentos de saúde no local, no contraturno escolar. Outros 21 estudantes, considerados casos severos, têm educação exclusiva no espaço. "São casos em que a escola e as famílias concordam que não se beneficiariam com a escola regular", afirma.

O Avançar também recebe demandas de saúde encaminhadas por entidades. Mantém atividades como fisioterapia, terapia ocupacional, esporte, arteterapia, entre outras. Na pandemia, atendimentos seguiram por vídeo e supervisão por telefone. Além desse espaço público, a instituição filantrópica Cirva (Centro de Integração, Reabilitação e Vivência dos Autistas) também atende autistas na cidade.



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