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O delivery de looping

Empresas têm mudado sua forma de trabalho, sinalizando para um futuro no qual não haverá caixas humanos em supermercados

| Especial para ACidade ON

Lucas Malavasi é advogado da Claudio Zalaf Advogados Associados, especializado em Gestão de Negócios (Foto: Divulgação) 

A prolongada crise econômica, institucional e política pela qual o Brasil passa com início em meados de 2014, devido sobretudo à ausência de confiança nas instituições e nos valores morais, vem ocasionando problemas em cascata, triturando estruturas sociais. O elevado desemprego é um dos indicadores mais gritantes deste intricado panorama, que, por si só, já traz reflexos de difícil reparo ao País.  

Dados alarmantes divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2017 trouxeram a informação do aumento progressivo de casos de depressão no Brasil: 5,8% da população sofre com a doença (mais de 11,5 milhões de pessoas), enquanto 18,6 milhões de pessoas (9,3% da população) têm distúrbios relacionados à ansiedade. Claro, sendo o local que mais passamos tempo da nossa rotina, não há como dissociar a saúde mental do nosso ambiente de trabalho.  

Neste cenário, o advento da economia colaborativa e dos aplicativos mobile que oferecem a quem procura emprego (ou fugir do modelo convencional de trabalho) uma ocupação mais autônoma, sem carga horária definida, chefe e possibilidade de outros afazeres ao longo do dia, pareceu um grande alívio e solução.  

O mesmo que ocorreu quando o Uber e outros aplicativos de mobilidade chegaram ao País, um contingente de pessoas passou a trabalhar com o "delivery de tudo" - neste caso, motoqueiros e ciclistas para atender as demandas de clientes de empresas como Rappi e Loggi. Porém, como o subproduto mais comum da expectativa é a frustração, um novo problema foi criado: a chamada precarização do trabalho e a sensação de que nem tudo é tão maravilhoso assim.  

Como tudo na vida, uma coisa puxa a outra. Empresas têm mudado sua forma de trabalho em razão do "delivery de tudo", sinalizando para um futuro no qual não haverá caixas humanos em supermercados, sendo certo que estes serão frequentados apenas por funcionários ou autônomos de aplicativos de entregas em Campinas, notadamente no Cambuí, já é possível perceber isso.  

O "delivery de tudo" traz muita comodidade, podendo levar a gastos orçamentários maiores e, consequentemente, mais endividamento, o que, segundo estudo sugerido, tem ligação direta com ansiedade e depressão. É preciso atenção para o looping.  

Lucas C. Malavasi é pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, e especializado em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral (FDC). Atua em Claudio Zalaf Advogados Associados desde 2009; sócio desde 2015. Em 2019, assumiu a Gerência Geral do escritório. É membro do Conselho de Ética e Disciplina da OAB de Limeira e Assessor da 17ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina OAB/SP

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