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Honda quer se impor entre as big trails com a robusta e confiável Africa Twin

Entre as novidades da fabricante japonesa está o controle de tração efetivo

| ACidadeON/Ribeirao


por Eduardo Rocha  / Auto Press
 

Certos segmentos do mercado de motocicleta no Brasil têm fetiches bem enraizados. Isso significa que algumas marcas têm vantagem competitiva em determinados segmentos, independentemente de uma análise objetiva. Basta ter o nome estampado no tanque. É o caso, por exemplo, das big trails. O segmento é amplamente dominado por duas marcas europeias: Triumph nos modelos de média-alta cilindrada, com a Tiger 800, e BMW nos de alta, com a R1200 GS. Juntas, elas detêm 65% dos dois subsegmentos, que somam 12 mil motos por ano. Em contrapartida, 70% das vendas das duas marcas estão concentradas neste pedaço do mercado. Para enfrentar este domínio, a Honda aposta atualmente na CRF 1000L Africa Twin, que está completando um ano de mercado.  

O modelo, que é montado em Manaus, conta com bons recursos tecnológicos, é ágil e tem preço razoável: R$ 54.900 na versão mais despojada e R$ 64.400 na Travel Edition, que conta com diversos acessórios para viagens. Por essa diferença de R$ 9.500, a Travel traz bauletos laterais e traseiro, protetor de tanque, para-brisa mais alto e cavalete central. O modelo é oferecido desde o lançamento em duas padronagens: branca com detalhes em azul e vermelho; e vermelha com detalhes em preto e branco.  

No lançamento, no final de 2016, o modelo chegou com preço R$ 10 mil acima do atual o que alinhava a Africa Twin com os modelos das duas líderes do segmento. Não deu muito certo. Passou então a pedir um valor semelhante ao das demais rivais japonesas, Yamaha, Suzuki e Kawasaki, que é cerca de 20% menor. As vendas até melhoraram passaram da média de 30 para 50 por mês , ainda assim, estão aquém do esperado. Não se pode, no entanto, culpar o modelo por esse desempenho. O caso é que, quanto mais esportivo é um veículo, mais emocional é a motivação de compra. Superar o poder de sedução e o status das marcas BMW e Triumph exige um trabalho de longo prazo.  

A Africa Twin tem um conjunto mecânico bem moderno e extremamente confiável. O motor de 999,1 cm³ tem dois cilindros paralelos, comando único no cabeçote e arrefecimento líquido, gerenciado por câmbio manual de seis marchas. Ele produz 90,2 cv de potência e 9,3 kgfm de torque. O modelo é dotado ainda de um sofisticado controle de tração com três níveis, ABS comutável para a roda traseira, painel de instrumentos é em LCD com computador de bordo, faróis em led. O banco tem dois níveis de regulagem de altura para 85 ou 87 cm de distância para o solo. A suspensão dianteira é investida e a traseira, monochoque da Showa, ambas ajustáveis. O chassi é de berço semiduplo com seis pontos de fixação do motor, as rodas são em alumínio e o tanque armazena 18,8 litros de combustível.

Múltipla personalidade  

Os fabricantes japoneses em geral, e a Honda especialmente, costumam ser extremamente conservadores no uso de novas tecnologias. Por isso, recorrem mais a soluções de engenharia para melhorar seus produtos do que à eletrônica. Não por acaso, a Africa Twin foi a última das big trails a adotar controle de tração. Mas já que adotou, ele agora o sistema é efetivo. Ou seja: mesmo na configuração mais leve, ele atua o tempo todo. E sempre com enorme eficiência.  

O tamanho da big trail da Honda fica entre o dos modelos de média-alta, como as de 800 cc, e as maiores, de 1.200 cc. Por isso, consegue ser imponente ao mesmo tempo em que tem agilidade e leveza. A ciclística é de um equilíbrio impressionante e as mudanças de direção são feitas com enorme naturalidade, sem esforço. Sem os bauletos laterais, meio "trambolhudos", ela consegue se movimentar no trânsito urbano com facilidade.  

O bom porte, o assento ergonômico e a aerodinâmica refinada, principalmente com o para-brisa mais alto, proporcionam um grande conforto em viagens. Na terra, a Africa Twin está no seu ambiente. Como o torque é presente em giros relativamente baixos, consegue manter o vigor mesmo em velocidades baixas. Da mesma maneira, retomadas e ganhos de velocidade não exigem que se recorra tanto ao câmbio. De qualquer forma, a transmissão tem engates bem suaves. Ou seja: a Africa Twin se mostra à vontade na cidade, na estrada e na terra. Uma verdadeira "multipurpose".