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Eleições

É mentira que marido de Marina extraiu madeira ilegalmente

O viral falso ainda faz uma comparação com o caso verídico de um homem punido por raspar a casca de uma árvore

| ACidadeON/Ribeirao

 

Marina Silva foi vítima de fake news envolvendo o marido dela(Foto: Nelson Antoine (P)/Folhapress)

É enganoso o viral, que circula em redes sociais, sugerindo que o marido de Marina Silva (Rede), candidata à Presidência da República, estaria envolvido em um caso de desmatamento e que não teria sido punido por sua ligação com a candidata, ministra do Meio Ambiente na época. O viral falso ainda faz uma comparação com o caso verídico de um homem punido por raspar a casca de uma árvore. 

A montagem compartilhada destaca a imagem de um homem idoso e de uma árvore raspada com a frase: "Crime ambiental, foi preso porque raspou a casca de uma árvore para fazer remédio para a esposa doente". Logo abaixo, está destacada a imagem de Marina e de seu marido Fábio Vaz de Lima e, ao lado deles, uma imagem aérea de uma madeireira. Acima das fotos, a frase: "Cortou 6 mil árvores ilegalmente da floresta, ficou solto porque é marido da ministra do Meio Ambiente". A prisão de um homem por raspar árvore realmente ocorreu, mas as informações sobre o marido de Marina Silva são falsas. 

Como verificado pelo projeto Comprova, coalizão de 24 organizações de mídia brasileiras, que visa identificar, checar e combater rumores, manipulações e notícias falsas sobre as eleições de 2018, o caso remonta a uma discussão que ocorreu em maio de 2011, em sessão do Senado que discutia o Código Florestal. 

Durante um debate, o então deputado pelo PCdoB Aldo Rebelo se irritou com uma provocação feita por Marina no Twitter, que criticava a apresentação de um texto com "novas pegadinhas, minutos antes da votação". Rebelo foi à tribuna e rebateu a ex-ministra, lançando a acusação de que seu marido havia fraudado "contrabando de madeira".  

 No dia seguinte, Marina convocou uma coletiva de imprensa para tratar das acusações, classificadas de "levianas e infundadas". O deputado também se manifestou, dizendo ter feito as declarações de cabeça quente e afirmando que ligaria para se desculpar. 

Rebelo fez referência a uma investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) de 2004. O órgão investigou a doação de quase seis mil toras de madeira clandestina apreendidas na Amazônia para a ONG Fase (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional), por um convênio via Ibama. Em 2003, a Fase recebeu 5.731 toras de mogno. A investigação se deu por divergências entre o valor real da madeira e o valor atribuído. 

O caso ocorreu durante a gestão de Marina Silva como ministra do Meio Ambiente (ocupou o cargo entre 2003 e 2008), durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e enquanto ainda era filiada ao PT. A ligação de Fábio Vaz de Lima com o caso é que ele havia sido um dos fundadores do Grupo de Trabalho amazônico (GTA), grupo ao qual a ONG Fase era ligado.  

Em uma nota oficial de Marina, ainda em 2011, ela explicava que o marido havia trabalhado no GTA entre 1996 e 1999, quando deixou o grupo para trabalhar no governo estadual do Acre, durante a gestão de Jorge Viana (PT), entre 1999 e 2007. Ainda em 2011, Marina pediu ao Ministério Público Federal (MPF) para investigar as acusações contra o seu marido. O MPF não encontrou elementos sobre a denúncia e arquivou o processo. 

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