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Covid: Unicamp quer vacinar todos os 500 voluntários em agosto

Três voluntários já receberam a primeira dose da vacina nesta quinta-feira, e mais três devem receber durante a tarde

| ACidadeON Campinas

Voluntários receberam primeira dose da SinoVac, vacina contra a covid-19 (Foto: Marília Rastelli/ EPTV)

O HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp prevê vacinar todos os 500 voluntários selecionados para a pesquisa da vacina CoronaVac - contra o novo coronavírus -, até o fim deste mês. A declaração foi do infectologista responsável pela pesquisa no HC, Francisco Aoki.

A universidade começou nesta quinta-feira (6) a realizar a aplicação dos testes nos voluntários. Segundo Aoki, durante a manhã três voluntários já receberam a primeira dose da vacina, e outros três receberão no período da tarde.   

Ao todo, nos dois primeiros dias (hoje e amanhã), estão previstas dez aplicações, com mais quatro voluntários que vão receber a dose até esta sexta (7). Após as dez vacinas haverá uma análise da monitoria do Instituto Butantan, para avaliar se tudo ocorreu bem. Segundo Aoki, caso a análise seja positiva, a expectativa é de vacinar o maior número de pessoas no menor tempo possível.

"Nós dependemos da avaliação, que classifica se tudo correu bem. Dependendo da avaliação, se tudo der certo queremos vacinar o maior número de voluntários no menor tempo possível. Sendo os 500 em um único mês. Será um trabalho insano, com vacinação de manhã, tarde e noites e também aos fins de semana", declarou.  

Os 500 voluntários selecionados, assim como em todos os centros, são profissionais da saúde, com prioridade ainda para aqueles que atuam em locais com risco médio ou alto de contaminação da doença. Foram selecionados pessoas da faixa etária entre 18 e 59 anos.  

A Unicamp é o sexto centro de pesquisa a iniciar a testagem. A primeira aplicação foi feita no dia 21 de julho no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo. Depois, no dia 30 de julho, outros quatro centros de pesquisa deram início aos testes com a vacina chinesa da Sinovac.  

O hospital universitário de Campinas foi escolhido no mês passado como um dos 12 centros selecionados no Brasil para a testagem da vacina. No HC, a testagem da vacina será feita em 500 voluntários da região, e o estudo tem previsão de duração de 14 meses, sendo 12 com acompanhamento clínico dos voluntários. Parte receberá a vacina e outra um placebo que não faz nenhum tipo de proteção.

PRIMEIRO VOLUNTÁRIO  

O primeiro voluntário que recebeu a dose em Campinas é um médico residente do HC, que atende no pronto-socorro e na enfermaria do hospital. Murilo Cerci disse que já estava de plantão à noite, e pela manhã, fez a consulta médica para poder receber a dose.  

"Muito gratificante saber que posso, de alguma forma ajudar, é muito bom. É um jeito da gente tentar ver se existem tratamentos efetivos, para ser mais um jeito de proteger a população", afirmou o voluntário. Murilo afirmou que não sentiu nenhuma reação após a aplicação.  

"Se falar que não doeu é mentira. Mas não tem muita dor, só uma picadinha, foi bem tranquilo", declarou. Apesar de ainda não saber se recebeu a dose do vírus inativado ou o placebo, o residente afirma que o recebimento dá uma sensação de segurança, mas que não anula os cuidados diários.  

"Me sinto mais seguro, mas não vou deixar de fazer nada que estava fazendo agora", afirmou.  

COMO VAI FUNCIONAR  

A terceira fase da vacina (fase atual) é responsável pela aplicação em grande quantidade de voluntários, e é feita depois de resultados positivos em estudos feitos em animais e em humanos, em que se observou poucos efeitos colaterais após o recebimento da dose.  

Entre os 500 voluntários que participarão do estudo do HC, metade deve receber a vacina, que contém o vírus inativo, e metade receberão placebo- medicamento neutro que não contém efeito direto em doenças.  

A fase da pesquisa, classificada como "duplo cego", fará com que a pessoa que receba a dose, não saiba se recebeu a vacina ou o placebo, para a avaliação posterior da eficácia da substância. No entanto, ao final do estudo, os voluntários que receberem placebo devem também receber a dose da vacina.  

Os voluntários receberão duas doses das substâncias, a primeira no dia "zero", e a segunda 14 dias após o início dos testes. Segundo o HC, ao longo de 12 meses os pacientes farão oito visitas para averiguação imunológica, e ainda farão parte de um acompanhamento direto para observação dos efeitos da aplicação.

EXPECTATIVA  

Segundo o infectologista responsável pela pesquisa no HC, Francisco Aoki, a CoronaVac, como é chamada, é uma das grandes candidatas contra o novo coronavírus, e tem expectativas positivas sobre sua eficácia.  

"Ela é uma boa candidata, apresentou dose de eficiência muito grande, além de ser bastante segura e com capacidade de imunogenicidade muito eficaz, o que nos dá bastante tranquilidade para participar do estudo", declarou o infectologista.  

De acordo com Aoki, caso haja resultados positivos, há a possibilidade do centro responsável pela pesquisa avaliar um possível início antes.  

Ontem (5), o governador João Doria (PSDB) afirmou que se comprovada a eficácia e segurança da vacina, a previsão é de produção no país e disponibilização pelo SUS (Sistema Único de Saúde) a partir de novembro deste ano, sendo possível que até fevereiro de 2021 toda a população já esteja imunizada.  

A VACINA  

A CoronaVac, vacina da Sinovac, usa uma versão do vírus inativado, ou seja, que não tem capacidade de se replicar no organismo e causar a doença. Essa é a tecnologia mais tradicional de desenvolvimento de vacinas, usada no imunizante contra hepatite e gripe, por exemplo.  

A vacina é desenvolvida em parceria pela empresa chinesa Sinovac Biotech e o Instituto Butantan, em São Paulo. Além dela, no Brasil ainda está sendo feita a terceira testagem da vacina de Oxford, que também é uma grande candidata a imunização contra a doença.


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