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Pesquisa aponta que adolescentes tiveram piora no sono e alimentação na pandemia

Além disso, foi constatado déficit no aprendizado; estudo foi conduzido pela Unicamp, UFMG e Fiocruz e teve participação de mais de 9 mil voluntários

| ACidadeON Campinas -

Pesquisa aponta como os jovens foram afetados durante a pandemia. (Foto: Antonio Scarpinetti/Unicamp/Divulgação)
Uma ampla pesquisa realizada pela Unicamp, em Campinas, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz e a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), apontou que a pandemia do coronavírus contribuiu para que os adolescentes apresentassem uma piora no sono, alimentação, humor e aprendizado.

Intitulada Convid Adolescentes - Pesquisa de Comportamentos, a pesquisa investigou as mudanças nas atividades de rotina, nos estilos de vida, nas relações com familiares e amigos, nas atividades escolares, nos cuidados à saúde, e no estado de ânimo de 9.470 adolescentes com idade de 12 a 17 anos do Brasil decorrentes da pandemia de covid-19.  
 
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Segundo o estudo, o percentual de adolescentes que tiveram diagnóstico de covid-19 foi de 3,9%. Na comparação por sexo, o percentual para o sexo masculino foi de 4,3% e para o feminino de 3,6%.  

Já na comparação por faixa etária, o percentual de adolescentes que tiveram diagnóstico de covid-19 foi de 4,9% entre os de 16 a 17 anos e de 3,5% entre os de 12 a 15 anos. Diferenças por região também foram encontradas. O percentual de diagnóstico de covid-19 variou de 2,1% na Região Sul a 6,1% na Região Norte.  

A pesquisa foi realizada por meio de um questionário preenchido por meio de celular ou computador. (Foto: Antonio Scarpinetti/Unicamp/Divulgação)
MAIS TRISTES
 
De acordo com a pesquisadora da faculdade de ciências médicas da Unicamp, Margareth Guimarães Lima, a qualidade do sono foi mais afetada entre as meninas, e nos adolescentes com 16 a 17 anos, em relação aos mais novos. 

"O percentual de adolescentes que relataram piora na qualidade do sono durante a pandemia foi de 36,0%, sendo que 23,9% começaram a ter problemas com o sono e 12,1% relataram que tinham problemas e eles pioraram", comenta. 

O relato de sentir-se isolado dos amigos foi observado em 32,8% dos adolescentes; 22,4% referiu sentimento de isolamento na maioria das vezes e 10,4% sempre teve esse sentimento durante o período. Sentir-se isolado foi mais frequente entre as meninas, em relação aos meninos, e entre os adolescentes mais velhos quando comparados aos mais novos. 

De acordo com a pesquisa, grande proporção de adolescentes que se sentiram tristes na maioria das vezes ou sempre foi encontrada (31,6%). O relato de tristeza, na maioria das vezes ocorreu em 22,4% dos adolescentes e 9,2% se sentiu sempre triste durante a pandemia.  

O percentual de sentimento de tristeza foi duas vezes maior nas meninas. Entre elas, 27,7% se sentiram sempre tristes. O relato do sentimento de tristeza na maioria das vezes ou sempre foi maior entre os adolescentes mais velhos (38,3%) do que entre os mais novos ( 29,6%). 

ALIMENTAÇÃO E ATIVIDADE FÍSICA
 
O consumo de alimentos não saudáveis em dois dias ou mais por semana aumentou durante a pandemia: 4% para pratos congelados e 4% para os chocolates e doces. Destaca-se o maior consumo de doces e chocolates entre as meninas. Durante a pandemia, 58,1% das adolescentes consumiram doces em 2 dias ou mais por semana. Já o padrão de consumo de alimentos saudáveis, tais como frutas e hortaliças, foi similar antes e durante a pandemia. 

"Chama a atenção que mais de 40% não praticaram atividade física por 60 minutos em nenhum dia da semana durante a pandemia. O percentual de jovens que não faziam 60 minutos de atividade física em nenhum dia da semana antes da pandemia era de 20,9% e passou a ser de 43,4%. A prática de 60 minutos de atividade física em cinco ou mais dias semanais diminuiu em torno de 13 pontos percentuais, de 28,7 para 15,7%", alerta a pesquisadora da Unicamp. 

Durante a pandemia, mais de 60% dos adolescentes relataram ficar por mais de 4 horas em frente às telas de computador, tablet ou celular. Entre os adolescentes de 16-17 anos, o percentual alcança 70%.  

O tempo sedentário aumentou de cerca de duas horas durante a pandemia. O tempo que os adolescentes costumavam ficar sentados assistindo televisão ou jogando videogame aumentou de 3 horas e 20 minutos, antes da pandemia, para 5 horas e 3 minutos, durante a pandemia. 

ENSINO A DISTÂNCIA
 
Com a suspensão das aulas presenciais, muitas dificuldades em acompanhar as aulas de ensino à distância foram citadas pelos adolescentes: 59% relataram falta de concentração, 38,3% falta de interação com os professores, 31,3% falta de interação com amigos.  

As meninas relataram maior dificuldade em acompanhar as aulas, principalmente com relação à falta de concentração e falta de interação com professores. Enquanto 10,7% dos meninos não teve nenhuma dificuldade, o percentual foi de 6,9% entre as meninas. Entre os adolescentes de 16-17 anos, 65,5% citaram falta de concentração como dificuldade para acompanhar as aulas à distância. 

Em relação ao entendimento do conteúdo das aulas de ensino à distância, 47,8% dos adolescentes relataram estar entendendo pouco (51,3% das meninas e 44,1% dos meninos), e 15,8% disseram não estar entendendo nada (17,4% das meninas e 14,1% dos meninos).  

Por fim, a pesquisa que os mais velhos têm mais dificuldades no entendimento do conteúdo das aulas à distância. Apenas 1 em cada 4 adolescentes de 16-17 anos relatou estar entendendo tudo ou quase tudo das aulas presenciais. (Com informações de Edmilson Montalti/Portal da Unicamp)

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