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Quase 40% dos motoboys já sofreram acidentes graves em Campinas

Levantamento realizado pelo Ministério Público do Trabalho, em parceria com a Unicamp, revela realidade dos entregadores

| ACidadeON Campinas -

 

Quase 40% dos motoboys já sofreram acidentes graves (Foto: Luciano Claudino/Código19)

Quase 40% dos motoboys que atuam com delivery em Campinas já sofreram acidentes graves durante a jornada de trabalho. O resultado faz parte de um levantamento realizado pelo MPT (Ministério Público do Trabalho), durante ação em saúde feita em Campinas, em parceria com a Unicamp. 

Ao todo o levantamento foi feito com 194 entregadores de Campinas e apontou que 37% já sofreram acidentes que exigiram afastamento do trabalho para recuperação de lesões. 

Quanto aos pequenos incidentes, sustos, quedas sem consequências para o físico, os entregadores disseram nem considerar, pois são frequentes. 

Com os acidentes, nove dos trabalhadores entrevistados precisaram ser afastados por mais de seis meses. Outros 20 tiveram que se afastar entre um até cinco meses das atividades. 

Os motociclistas reclamam dos riscos nos quais são submetidos diariamente, muitas vezes motivados pela falta de atenção dos demais motoristas. Um das vítimas de acidente grave foi o entregador Reginaldo Alexandre, que precisou ficar sete meses afastado. 

"É aquela: não te vi, desculpa. Mas desculpa não salva sua vida, não conserta sua moto. Em Campinas está muito difícil ser motoboy porque os motoristas não respeitam. As vezes você alerta, e eles ficam nervosos e discutem", relatou o entregador. 

PESQUISA 

No total, 252 trabalhadores fizeram testes de covid-19 em janeiro, durante uma ação de saúde para a categoria, e 194 assinaram um termo de consentimento, no qual responderam perguntas sobre a profissão. Os dados surgiram desse levantamento. 

POUCO RENDIMENTO PARA MUITAS ENTREGAS 

O levantamento mostra ainda que a média de ganhos brutos desses trabalhadores, na maioria, está entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, e alguns chegam a fazer de 20 a 40 entregas diárias. 

Além disso, 44,7% dos trabalhadores, quase a metade deles, percorre mais de 100 km por dia e a grande maioria percorre mais de 50 km por dia.

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