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Após três anos, família de Campinas reencontra bombeiro que ajudou em parto prematuro

Reencontro, três anos após o nascimento, aconteceu por acaso e foi marcado por emoções

| ACidadeON Campinas -

Dia do reencontro entre a família de Lucca e o bombeiro Papareli (Foto: Cedida)
Com muita emoção e sem planejar, aconteceu o reencontro de um soldado do Corpo de Bombeiro de Campinas com a família de um bebê que ele resgatou durante um parto prematuro três anos atrás. Como uma coincidência arquitetada pelo destino, a apresentação formal de Lucca Cassiani, hoje com 3 anos, e Nei Papareli Valero, cabo do Corpo de Bombeiros, aconteceu por acaso, no último dia 12 de junho. 

A história que liga os dois se deu na madrugada do dia 22 de junho de 2018, quando Papareli foi acionado para um atendimento de uma ocorrência classificada como aborto espontâneo. Chegando ao local, no entanto, encontrou Luca, ainda envolto pela placenta, mas respirando. 

O bebê, que tinha 27 semanas de gestação, estava no colo da mãe após cair dentro do vaso sanitário. O trabalho de parto aconteceu no banheiro da casa e com muito medo. 

Papareli fez o resgate de mãe e filho, que foram encaminhados para o Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher), da Unicamp. O bebê deu entrada ao hospital pesando apenas 970 gramas, e o "final da história" era um enigma para o cabo que não pode acompanhar seu desfecho. Mas a dúvida que o perseguia desde aquele dia foi respondida de forma inusitada. 

"Eu não tive mais contato com a família, mas fiquei muito curioso para saber o que tinha acontecido. Nas ocorrências é normal a gente querer saber o que acontece, mas essa ficou marcada ainda mais. Como o dia a dia é corrido, eu nunca tinha conseguido ir atrás pra saber, e aconteceu por acaso", contou o cabo. 

O REENCONTRO 

Apesar de não ser marcado, o destino se encarregou de fazer o reencontro três anos depois e da forma mais inusitada possível. 

"Um rapaz veio com o filho no colo, pediu para olhar dentro do caminhão do Corpo de Bombeiros enquanto estávamos parados numa rua do distrito de Sousas. Durante a visita ele falou que devia muito a nós. Quando eu perguntei o motivo, ele começou a contar a história que eu conhecia e não acreditei. O interrompi dizendo que era eu que o tinha atendido. Foi muito emocionante, ele me abraçou, a emoção tomou conta", contou o bombeiro. 

A mãe de Lucca, Ana Beatriz Frucri Gatto, conta que foi um momento especial e que não imaginava que aconteceria na vida. 

"Tinha um caminhão dos bombeiros parado na rua e o Lucca quis ver, meu marido desceu com ele e eu fiquei no carro. Mas eles demoraram para voltar. Quando desci, descobri que era a pessoa que tinha nos resgatado. Eu fiquei muito emocionada. Sempre tivemos muita vontade de agradecer por tudo. Ele foi essencial e sempre me recordei muito dele", contou.   

Lucca ainda internado na UTI, no Caism (Foto: Arquivo pessoal)

O DIA DO NASCIMENTO 

Papareli conta que ainda se lembra de quando atendeu a ocorrência, que a princípio tinha chegado como aborto natural. Ao chegar na casa, viu uma cena que sempre ficará marcada na memória. 

"Estava trabalhando na unidade do Taquaral, quando recebemos pelo 193 um atendimento de aborto natural de uma gestante. Quando cheguei ao local, ela estava ensanguentada, com o bebê ainda dentro do vaso e muito nervosa, em estado de choque. Quando fui tirar percebi que a criança respirava, estava em formação ainda, mas dava pra ver o movimento do pulmão", lembrou o bombeiro. 

Ana Beatriz conta que o parto do primeiro filho aconteceu sem ela imaginar. 

"Estava grávida de 27 semanas, aquela semana eu tinha ficado com dor, mas nunca imaginei que já estava em trabalho de parto. Na madrugada eu comecei a sentir muita cólica, achei que eu estava com dor de barriga. Fui ao banheiro, continuei com muita dor, quando vi que tinha soltado o tampão. Foi o momento de pensar e ele nasceu, caiu no vaso, eu entrei em choque. Segurei ele na mão enquanto meu marido saiu correndo ligando para algum resgate", contou relatando um dos momentos mais angustiantes da sua vida. 

"Achei que ele estava morto. Demorei para ter reação de tirar, só depois vimos o movimento dele. Depois dali no hospital foram sensações de vida e morte todo dia", contou.  

O dia em que os pais puderam pegar Lucca no colo (Foto: Arquivo pessoal)

LUTA PELA VIDA 

A mãe conta que o reencontro sempre foi planejado, mas não tinha sido possível ainda também por causa dos primeiros anos ainda de muitos cuidados com o bebê. 

"Sempre tínhamos vontade, mas o primeiro ano foi muito difícil. Ele saiu com respirador, sonda, fez fisioterapia, não conseguimos fazer muita coisa, depois veio a pandemia. Mas ele (Papareli) sempre esteve em nossas orações", disse Ana Beatriz. 

Lucca ficou 90 dias internado, sendo 75 intubado, e saiu do hospital ainda com uso de cilindro do oxigênio. Hoje, depois de tanta luta, é um menino saudável e sem nenhuma sequela. 

"É uma mistura de alegria, de missão cumprida, de ver que nossa ajuda teve um efeito bom, positivo, não teve sensação melhor", disse Papareli após o reencontro. 

Ana Beatriz e o filho Lucca, hoje com 3 anos (Foto: Arquivo pessoal)

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