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Estudo da Unicamp encontra composto nocivo em 89% das amostras de água na RMC

Pesquisa da Unicamp desenvolveu novo método para identificar substâncias que podem fazer mal para a saúde na água da torneira

| ACidadeON Campinas -

Estudo coletou amostra de água de torneira em várias cidades da região (Foto: Denny Cesare/Código19) 

Um estudo da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) identificou um composto nocivo em 89% das amostras coletadas na água de torneiras das cidades da região de Campinas. A pesquisa desenvolveu um novo método para identificar substâncias que podem fazer mal para a saúde, incluindo um composto recentemente adicionado à lista do Ministério da Saúde, o NDMA.

Os pesquisadores do Instituto de Química da Unicamp coletaram no final de 2019 várias amostras de água de torneira em residências de cidades da região. Entre elas, estão Americana, Campinas, Cosmópolis, Hortolândia, Indaiatuba, Jaguariúna, Monte Mor, Paulínia, Santa Bárbara d'Oeste, Sumaré, Valinhos e Vinhedo.

O resultado foi que em 89% das amostras a substância NDMA foi encontrada em maior concentração. Foram 67 nanogramas por litro. 

"Nós estudamos os contaminantes que são da classe nitrozaminas. O NDMA é o principal representante e ele é um contaminante formado após o processo de cloração durante o tratamento de água", disse a pesquisadora e professora Cassiana Montagner.

Esse é o primeiro estudo no Brasil sobre os compostos da classe das nitrozaminas na água. O diagnóstico preliminar foi publicado neste ano pelos pesquisadores da Unicamp.

"A principal necessidade é ter um controle da água que está chegando em nossas casas. A ideia deste método foi desenvolver um protocolo dedicado para a análise de nitrozaminas. Com isso, a gente consegue ter resultados do que está presente na água e qual sua quantidade, também", disse o pesquisador Leandro Wang.

O ESTUDO

A primeira fase do estudo mostra que o consumo diário e prolongado não só do NDMA, mas de outros seis compostos químicos encontrados nas amostras, pode trazer riscos à saúde. Por isso, os pesquisadores da Unicamp indicam que o tratamento da água precisa passar por uma modernização em todas as cidades da região de Campinas.

"O nosso consumo mudou, mas o tratamento continua praticamente o mesmo. Isso na maioria das cidades brasileiras. Portanto, não é suficiente hoje para remover os contaminantes que acabam chegando nos nossos rios, via esgoto doméstico, que é reflexo do nosso consumo", disse Cassiana.

A SANASA

A Sanasa, responsável pelo tratamento de água e esgoto de Campinas, disse que o recurso hídrico oferecido está dentro do padrão estabelecido por uma normativa do Ministério da Saúde.

"O limite que é colocado, que não faria mal à saúde, é de 100 nanogramas por litro. A tese que foi apresentada detectou 67 no máximo em uma das amostras. O que está dentro do limite estabelecido. Em Campinas, na Estação de Tratamento onde a amostra foi coletada, foi 37 nanogramas por litro. Então está dentro do limite definido pela portaria", explicou a gerente de inovação da Sanasa, Adriana Insenburg.

Apesar disso, a Sanasa disse que em dois meses começará novos estudos sobre a concentração desses poluentes na água. "Compramos um equipamento de última geração e ele vai nos dar a condição de medir como está a água potável", disse.

OUTRAS CIDADES


O Departamento de Água e Esgoto de Americana, de Santa Bárbara d'Oeste e a secretaria de Saneamento Básico de Cosmópolis disseram que a qualidade da água tratada atende aos padrões estabelecidos e que são fiscalizadas periodicamente pelo Ares PCJ.

A Sabesp, que abastece Hortolândia, Monte Mor e Paulínia, disse que a água que distribui atende aos requisitos legais da portaria vigente. O serviço autônomo de água e esgoto de Indaiatuba disse que não teve acesso ao estudo, mas que está se adequando para atender aos novos padrões do Ministério da Saúde.

O DAE de Jaguariúna também disse que segue rigorosamente todos os parâmetros. A Brk Ambiental, que é responsável pelos serviços de água de Sumaré, disse que desde o começo deste ano executa o plano de segurança da água para assegurar a qualidade.

O Departamento de Águas e Esgoto de Valinhos disse que usa outros processos de tratamento que não resultam no NDMA.

Por fim, o Sanebavi, de Vinhedo, respondeu que está investindo no aperfeiçoamento dos sistemas de tratamento e ampliando o monitoramento de qualidade para garantir a potabilidade da água. (Com informações da EPTV Campinas)

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